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Samu registra média de 20 atendimentos mensais a vítimas de violência contra a mulher

Levantamento foi feito nas cidades de Maceió e Arapiraca

Por Agência Alagoas 11/12/2025 14h02 - Atualizado em 11/12/2025 15h03
Samu registra média de 20 atendimentos mensais a vítimas de violência contra a mulher
Equipe de Unidade de Suporte Avançado foi rapidamente deslocada para o local - Foto: ilustração

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu, em média, 20 casos mensais de violência doméstica contra mulheres em Alagoas ao longo de 2025. Entre janeiro e novembro, foram registrados 215 atendimentos, conforme levantamento das Centrais de Maceió e Arapiraca.

Um desses episódios ocorreu na última quarta-feira (10), quando uma equipe da Unidade de Suporte Básico (USB) foi acionada para socorrer uma mulher de 48 anos, agredida pelo marido com pedradas no bairro Benedito Bentes, em Maceió.

A vítima apresentava ferimento na cabeça, com sangramento intenso, além de lesão na perna esquerda. Ela foi estabilizada clinicamente no local e encaminhada ao Hospital Geral do Estado (HGE).

Esse caso integra um cenário preocupante: das 215 ocorrências registradas em 2025, constam espancamentos, agressões com armas de fogo e armas brancas, além de episódios de feminicídio — evidenciando que a violência de gênero é uma realidade constante nos atendimentos do Samu.

“Cada vez mais, nossas equipes se deparam com situações de extrema violência. Isso nos mobiliza não só do ponto de vista assistencial, mas também humano”, afirma a coordenadora-geral do Samu de Alagoas, Beatriz Santana.

Segundo ela, os profissionais são treinados para identificar sinais de violência doméstica, mesmo quando a vítima omite ou minimiza o ocorrido. “A linguagem corporal, relatos contraditórios, o medo de nomear o agressor: tudo isso serve de alerta para acionarmos nosso protocolo de atenção integral”, completa.

Beatriz destaca ainda que, além do atendimento clínico, as equipes orientam as mulheres sobre seus direitos. “Explicamos sobre a Lei Maria da Penha, a possibilidade de acionar a polícia, de obter medidas protetivas e buscar apoio na rede de atendimento à mulher. Muitas vezes, esse primeiro contato com o Samu é a porta de entrada para romper o ciclo da violência”.

A enfermeira acrescenta que, frequentemente, vítimas ou comunicantes tentam justificar os ferimentos como acidentes. “Mas nossos profissionais têm sensibilidade e capacitação para reconhecer padrões de violência. A formação contínua e o olhar humanizado são essenciais”.

Feminicídio em alta no Brasil

O Brasil segue enfrentando um quadro grave de violência de gênero. Em 2023, foram registrados 1.463 feminicídios — o maior número desde a criação da Lei nº 13.104/2015. As estimativas para 2024 apontam entre 1.450 e 1.459 casos, mantendo a média de quatro mulheres assassinadas por dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país ocupa a quinta posição mundial em mortes violentas de mulheres.

A Lei nº 14.994/2024, recentemente sancionada, aprimorou o combate ao feminicídio ao torná-lo um crime autônomo, com penas de 20 a 40 anos, além de novos agravantes e medidas de proteção às vítimas.

“A legislação avança, mas precisamos de prevenção efetiva, acolhimento contínuo e de uma cultura que não normalize a violência”, conclui Beatriz.