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Maceió conta com acervo que reúne mais de 76 mil amostras de plantas da flora alagoana

Herbário Mac existe há 46 anos dentro do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas e recebe estudiosos de todo o Brasil

Por Jamerson Soares 10/08/2025 12h12
Maceió conta com acervo que reúne mais de 76 mil amostras de plantas da flora alagoana
Acervo conta com cerca de 10 mil espécies de plantas catalogadas em Alagoas - Foto: Jamerson Soares

Muita gente não sabe, mas em Maceió há um acervo onde estão reunidas mais de 76 mil amostras de plantas de diversos tipos e espécimes raras que só foram encontradas em Alagoas, como a Allamanda alagoana. É também um importante espaço para pesquisa, estudo e análise sobre a vegetação presente no estado, onde pesquisadores e alunos se reúnem para registrar a memória ambiental dos nossos biomas.

Se trata do Herbário Mac, uma tipo de setor ou cúpula que fica dentro do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL), localizado no Farol, na capital alagoana. O espaço também recebe estudiosos de todo o Brasil.

Idealizado pelo biólogo e professor Osvaldo Viegas, o Herbário Mac existe há 46 anos, quando ainda se chamava de Coordenação do Meio Ambiente, e conta com cerca de 10 mil espécies de plantas catalogadas. Algas, fermentados, orquídeas, mangue-vermelho, catingueira, cactos, entre outros, podem ser vistos no local.

"O Herbário é isso: uma coleção. A gente faz coletas de material botânico para registrar a flora de alagoas, ou seja, é para a gente conhecer o que é que a gente tem como vegetação no nosso estado. Para isso, vamos para unidades de conservação e demais ambientes para coletar algumas estruturas dessas espécies, tanto da Mata Atlântica quanto em ambientes da Caatinga", explicou Juliana Silva, bióloga e consultora do Herbário há dois anos. 

Para ela, conhecer essas vegetações é necessário para poder preservá-las e mostrar que as plantas que estão na natureza, também estão próximas das plantas que a população se alimenta, como feijão e milho. “O Herbário traz um pouco desse conhecimento cultural e traz também essa importância ecológica dos ambientes como um todo", disse a bióloga.

Da coleta em campo à catalogação

Para coletar todo o material e levá-lo para o Herbário, o IMA conta com cerca de 10 colaboradores, entre eles técnicos, pesquisadores e estagiários das áreas de engenharia florestal, agronomia e biologia. 

"Eles acabam ficando quase um dia todo fora, em campo, para coletar as amostras, saem pela manhã e voltam no final do dia", contou Juliana. 

Depois de coletadas, as amostras passam por etapas de análise e processamento que podem durar mais ou menos cinco dias, dependendo do tipo de planta. Os colaboradores costuram essas estruturas em cartolinas e depois registram o gênero e o nome específico.

Logo em seguida, são criados os números de registro para serem inseridos em um livro de tombo. É feita a digitação desse registro e as informações são disponibilizadas para uma plataforma chamada Espécie Link, onde pesquisadores de todo o mundo podem acessar.