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Terreno do Município destinado à creche abriga usuários de drogas no Vale do Reginaldo

Moradores do Vale do Reginaldo reclamam que terreno da Prefeitura na comunidade poderia ser utilizado para construção de equipamentos públicos.

Por Redação 02/04/2024 18h06 - Atualizado em 02/04/2024 19h07
Terreno do Município destinado à creche abriga usuários de drogas no Vale do Reginaldo
Ladrões utilizaram terreno da prefeitura de Maceió para roubar escola do município - Foto: Paulo Bugarin/Jornal de Alagoas

A comunidade do Vale do Reginaldo reclama que um terreno da Prefeitura de Maceió em que seria construída uma creche para crianças entre 0 e 3 anos está abandonado e abriga usuários de drogas. Moradores reclamam que o terreno da Prefeitura na comunidade poderia ser utilizado para construção de equipamentos públicos.

Localizado ao lado da escola municipal Maria José Carrascosa, na Rua Diegues Júnior, um dos principais acessos ao Vale do Reginaldo, a situação de abandono do local, coberto por vegetação, já facilitou a entrada de ladrões no prédio da instituição de ensino, que teve seus ares-condicionados roubados.

A informação foi confirmada pela diretora da escola, Diacuí Lima, que é servidora pública e leciona na Maria José Carrascosa há 21 anos. “O terreno é da escola, faz parte da escola e aí teve essa separação porque foi demolido o prédio que tinha lá e aí a prefeitura era para construir uma creche, mas nada até agora”.

Ela lembra que o Município está construindo uma creche em um local próxima a escola, onde ficava o antigo prédio do Colégio Cenecista, também no bairro do Poço, mas alega que o terreno da própria escola poderia receber o equipamento.

“Já foi destinada verba do Ministério Público do Trabalho para ser construída essa creche, mas nunca foi construída”.

Moradores de longa data do Reginaldo e que fazem vizinhança ao terreno afirmam que o local abriga usuários de drogas e lamentam a falta de uso público para um terreno promissor na entrada do Vale do Reginaldo.

Prefeitura instalou placas de propaganda dentro do terreno. Foto: Paulo Bugarin

Sem se identificar, eles contaram que o terreno poderia abrigar unidades de saúde e até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que atenderia os bairros do Poço, Centro e Farol.

“Seria uma maravilha porque a prefeitura ia economizar com dois aluguéis que são pagos em imóveis de postos de saúde, dentro do Reginaldo, e porque também ia parar de ter assalto, ia ser mais seguro para todo mundo. Se fizesse a creche ou o posto, quantas mães poderiam deixar as crianças e irem trabalhar”, vislumbra o morador.

Reintegração de posse


Próximo ao terreno preterido pela Prefeitura de Maceió, foi anunciado pelo município a construção de uma creche do Programa Gigantinhos, no local do antigo Cenecista. O imóvel é alvo de uma suposta disputa pela posse do terreno. O estado quer construir habitações do programa Minha Casa Minha Vida e diz que houve uma invasão da prefeitura no local, enquanto o município prevê a construção de um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei).

Respostas


O Jornal de Alagoas procurou a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), com sede na Paraíba, que assinou o contrato com a Prefeitura de Maceió, mas não obteve sucesso. O espaço está aberto.

A Prefeitura de Maceió, através da Secretaria de Comunicação, informou que as respostas seriam dadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra). A Seminfra, por sua vez, retornou a responsabilidade à Secom.

O secretário de Infrasestrutura de Alagoas, Rui Palmeira, acredita que a prefeitura de Maceió decidiu pagar para fazer a obra no local mesmo sabendo da existência do projeto habitacional.

“Essa área é do DER e estava cedida e a CNEC nem existia mais. A gente aprovou em novembro (o projeto) e já foi realizada a licitação. Certamente eles fizeram para tumultuar. Eles já sabiam do projeto", disse.