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Agosto Lilás: Samu AL busca ampliar rede de apoio às mulheres vítimas de violência

É importante que o atendimento qualificado seja disponibilizado para essas mulheres no momento em que elas estão dispostas a falar

Por Redação com Sesau 25/08/2021 17h05
Agosto Lilás: Samu AL busca ampliar rede de apoio às mulheres vítimas de violência
Profissionais do Samu e do Ceam discutem estratégias para qualificar, ainda mais, às mulheres vítimas de violência doméstica - Foto: Reprodução/Thyeres Medeiros

Entre as múltiplas ocorrências diárias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Alagoas, os casos de violência contra a mulher. E é nesse viés que o Serviço Social tem trabalhado, ampliando cada vez mais as redes de apoio para essas vítimas.

Normalmente, o Samu é acionado para casos de urgência e emergência e, de acordo com o quadro clínico apresentado pelo paciente, são encaminhados para a unidade de saúde mais adequada. Entretanto, nos casos de violência doméstica, é necessário um acompanhamento maior, sendo levado em consideração que é comum que as mulheres se sintam fragilizadas demais para depor contra o agressor, que muitas vezes pode estar ao lado da vítima no momento do atendimento médico.

O Setor de Serviço Social do Samu Alagoas trabalha na busca ativa dessas pacientes para realizar o encaminhamento adequado e acompanhar a evolução desses casos. Para isso, as assistentes sociais Liege Batista e Goretti Bastos, mapeiam, através de diversas visitas técnicas e reuniões com os respectivos dirigentes, toda a rede de apoio disponível, como instituições públicas e organizações não governamentais (ONGs).

De acordo com Liege, o momento de “abertura” que a mulher tem para falar no atendimento da ocorrência, pode não se repetir posteriormente. “É importante que a gente perceba o quadro corretamente e possa acolhê-la no momento certo, já que nossas equipes são muitas vezes as que chegam primeiro no local. Não podemos perder a chance de quando ela finalmente se sentiu estimulada a seguir com a denúncia”, explica Liege.

Ao contrário do que é disseminado popularmente, não é sempre que as mulheres vítimas de violência doméstica possuem dependência financeira do agressor. Segundo a também assistente social do Samu Alagoas, Goretti Bastos, a dependência é principalmente psicológica. “Ainda existe no imaginário a figura do “príncipe encantado”, do homem que ela escolheu para passar o resto da vida ao lado dela. É muito difícil para elas entenderem que os abusos e violências do relacionamento não são normais e que esse cenário só tende a ficar cada vez mais violento”, alerta Goretti.

Para Martha Ferreira, coordenadora da Central da Mulher e dos Direitos Humanos (Ceam), que recentemente recebeu a visita técnica do Samu Alagoas, é importante que o atendimento qualificado seja disponibilizado para essas mulheres no momento em que elas estão dispostas a falar. “Aqui no Ceam, a gente realiza um atendimento multidisciplinar, com psicólogos, advogados e assistentes sociais. Se elas vierem para cá encaminhadas pelo Samu, teremos uma chance maior de êxito na denúncia e no empoderamento da vítima, para que ela possa se libertar do ciclo de violência”, afirma a coordenadora do Ceam.

Nos últimos anos, o Setor de Serviço Social e o Núcleo de Educação Permanente (Nep) têm trabalhado com os socorristas na sensibilização e na capacidade de leitura das ocorrências para a devida notificação e acompanhamento dos casos. O resultado desse trabalho já pode ser notado. “Agora já conseguimos notificar oficialmente esses casos e dar a essas mulheres uma assistência continuada. O agir cotidiano das equipes do Samu Alagoas vêm contribuindo para salvar vidas”, esclarece Goretti.

Agosto lilás

Criada como parte da luta representada pela Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, foi criada a Campanha Agosto Lilás. A iniciativa tem o objetivo de, ao longo de todo o mês, alertar a população sobre a importância da prevenção e do enfrentamento à violência contra a mulher, incentivando as denúncias de agressão, que podem ser físicas, psicológicas, sexuais, morais e patrimoniais.