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Vendedora é demitida ao denunciar chefe por assédio em 'sala da sarrada'

Mesmo realizando várias denúncias ao canal interno da loja, a mulher foi ignorada diversas vezes

Por Redação com UOL 12/08/2021 16h04
Vendedora é demitida ao denunciar chefe por assédio em 'sala da sarrada'
Imagem ilustrativa - Foto: Reprodução/Internet

Uma mulher denunciou à polícia que foi demitida por justa causa após denunciar por abuso sexual o gerente e o funcionário de uma loja de telefonia em que ela trabalhava em um shopping da zona norte do Rio de Janeiro. Segundo Anna Paula Oliveira, de 31 anos, tudo começou em abril deste ano, um dia antes dela entrar de férias. Segundo o delegado que cuida da casa, o gerente da loja apelidou uma parte do recinto como "sala da sarrada".

"Desde que cheguei na loja TIM do Norte Shopping as brincadeiras 'sem noção' já aconteciam. No dia 15 de abril, eu vivi o pior dia da minha vida. Entrei na cozinha como de costume, subi para beber água e fui pega de surpresa pelo meu colega de trabalho, um consultor igual a mim e pelo meu gerente geral. Eles apagaram a luz e fui empurrada para o gerente pelo 'colega de trabalho'", disse ela, em um relato no Instagram.

As falas de Anna Paula têm possíveis gatilhos sobre violência sexual.

"Minha mente paralisou na hora, não conseguia assimilar por que comigo e o por que de estarem fazendo aquilo, foram minutos angustiantes. Ele passou a mão no meu corpo, ele pressionava tão forte o seu corpo contra o meu e beijava o meu pescoço de forma rígida e rápida, enquanto continuava passando a mão no meu corpo, enquanto eu pedia para ele parar e quando vi que seria dali para pior", acrescenta Anna Paula.

A reportagem chegou a conseguir contato com a vendedora, que se disse abalada para comentar o caso. Anna diz que lembrou que ao subir para almoçar, estava na companhia de outra funcionária e que, ao pedir por socorro, a amiga tentou ajuda-la, porém não conseguiu abrir a porta da cozinha. A vendedora conta que, mesmo pedindo para parar, os dois riram dela.

"Em todo momento eles rindo e minha agonia só aumentava. Até que essa colega de trabalho fala 'denuncia eles' [pelo canal interno que a TIM disponibiliza]. Foi aí que eles abriram a porta e eu consegui sair". A mulher conta que após voltar de férias, no dia 3 de maio, tremia só de voltar ao ambiente de trabalho. "Eu chorava sozinha, com vergonha e medo de perder o emprego", lembra.

Após o ocorrido, Anna Paula Oliveira conta que desencadeou problemas como ansiedade e depressão e que viu o rendimento no trabalho cair. Segundo a mulher, o gerente da loja chegou a ameaçar caso fizesse alguma denúncia.

No início de junho a vítima registrou o ocorrido na 23ª DP (Méier). Ao UOL, o delegado responsável pelo caso, Deoclécio Francisco de Assis, diz que os dois foram indiciados por três crimes: importunação sexual, coação e difamação. Em nota, a polícia também citou a "sala da sarrada".

A vítima apesar de buscar o canal interno de notícia da empresa, jamais foi recebida por nenhum representante da mesma, tendo que relatar os fatos por chat mesmo depois de implorar por atendimento pessoal. O principal indiciado [o gerente] denominava a sala do refeitório como a 'sala da sarrada', disse a polícia em nota.

"Em depoimento os dois negaram, alegam que não ocorreu, que não fizeram. A empresa conduziu muito mal, simplesmente não apurou. Ela denunciou no canal interno e a empresa ficava sempre pedindo mais detalhes, ela falando, não querendo se identificar. Quando ela se identificou e identificou quem fez, o gerente da loja tomou conhecimento", explicou o delegado, ao UOL.

Assis afirmou ainda que "o gerente, em depoimento, fala que ela já havia se relacionado com outro funcionário, mesmo sendo casado, isso configura crime de difamação. Ele, muito mal orientado, tentou desacreditá-la o tempo todo”.

Dias após prestar queixa na delegacia, Anna Paula Oliveira foi chamada para uma conversa. "Eu recebi uma mensagem da coordenadora pedindo para que eu fosse para loja. Foi quando ela me demitiu por justa causa, no meio de uma crise de ansiedade e me demitiu de forma humilhante, falando sobre eu ter ferido a honra dos meus superiores e colegas de trabalho, quebrando assim o código de ética da TIM", disse.

Ao menos oito pessoas foram ouvidas ao longo do inquérito e uma acareação chegou a ser realizada entre Anna Paula e o gerente da loja.

A reportagem procurou a empresa de telefonia, mas até o momento não teve retorno. Os suspeitos não foram identificados e, portanto, não foi possível acesso à defesa deles.