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“Serei grata por toda vida”, diz paciente recuperada da Covid-19 em Alagoas

“Agradeço a todos vocês por tudo que fizeram por mim durante esse tempo”, disse Maria Betânia dos Santos Silva, de 39 anos,

Por Marcel Vital com Ascom Sesau/AL 08/05/2020 22h10
“Serei grata por toda vida”, diz paciente recuperada da Covid-19 em Alagoas

“Agradeço a todos vocês por tudo que fizeram por mim durante esse tempo”, disse Maria Betânia dos Santos Silva, de 39 anos, paciente de Covid-19, que ficou 24 dias internada no Hospital da Mulher Dr.ª Nise da Silveira (HM), 17 deles entubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Residente do município de Capela, distante a 63 quilômetros da capital, ela chegou ao leito da semi-intensiva da unidade hospitalar – que é referência para casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 -, no dia 13 de abril com quadro de febre, tosse seca, dores musculares e epigastralgia (dor na parte superior do abdômen ou epigástrio).

Contudo, após dois dias, precisou ser internada às pressas na UTI devido à piora do seu quadro respiratório, necessitando de entubação orotraqueal e ventilação mecânica. Na UTI, a luta pela vida aconteceu com o auxilio de máquinas sofisticadas que ajudaram a paciente a respirar e a realizar outras funções básicas, além de enviar remédios para o corpo.

Como atualmente não existe tratamento comprovado para o novo coronavírus, o essencial para o tratamento da paciente que estava em situação grave foi a garantia de oxigênio suficiente para os seus pulmões, enquanto o sistema imunológico combatia o vírus. “Quero agradecer a equipe que me deu banho, remédios e alimentação pela sonda e me socorreu durante as horas de angústia. Por isso, serei grata a vocês pelo resto da minha vida”, agradeceu Maria Betânia, em tom emocionado, ansiosa para voltar à sala de aula, já que é professora do ensino fundamental no município de Capela. Ela é mãe de Anthony Gabriel, de 14 anos, e Albert Ryan, de 17.

“Ela chegou ao nosso Centro de Terapia Intensiva com muita falta de ar, com necessidade de entubação e ventilação mecânica por um longo período. Conforme o tempo foi passando, evoluímos o desmame da ventilação mecânica e ela foi extubada com sucesso. Posteriormente, ela ficou independente do oxigênio suplementar. São histórias como a dela que incentivam nossa equipe multidisciplinar a continuar trabalhando 24 horas por dia para o bem-estar da população alagoana. Como ela ficou muito tempo entubada, passei um encaminhamento para o fonoaudiólogo, a fim de ela deglutir melhor novamente e exercer com maestria o ofício de ser professora”, explicou o coordenador médico do Centro de Terapia Intensiva Covid-19 do Hospital da Mulher, Luiz Guilherme Almeida.

Para Maria Benedita, de 61 anos, mãe de Maria Betânia, o tempo em que a filha esteve internada no hospital foi, a seu ver, o maior sofrimento de sua vida. “Só Deus pra ter me confortado durante esse tempo. Foi uma luta grande que não desejo nem pro meu pior inimigo. Minha filha ressuscitou”, disse ela, que ganhou como presente de aniversário, a alta hospitalar da filha.

Ao rever sua filha saindo pelas portas de vidro do Hospital da Mulher, Maria Benedita repassa às pessoas a recomendação para que fiquem em casa. “Eu peço que a população acredite nas palavras que os médicos e o governador estão dizendo na tevê e na internet. Essa doença pode matar. Estou vendo a minha filha hoje e sei o quanto sofri durante esse tempo, achando que a qualquer momento podia receber a pior notícia da minha vida. Por favor, fique em casa! Se você não tiver motivo pra sair, não coloque os pés na rua. É triste quando a gente tem um caso como essa na família. A gente liga a tevê e o mundo só fala disso. Se preservem. Se cuidem. Se amem”, suplicou Benedita.