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Saúde de AL está à beira do colapso, diz Sociedade de Infectologia
Entidade apresenta sugestões para evitar sobrecarga de atendimento nas UPAS, porta de entrada para pacientes com Covid-19 no Estado
Em “Carta aberta aos Gestores Públicos e a população alagoana”, a pela Sociedade Alagoana de Infectologia chama a atenção das autoridades para o rápido avanço da Covid-19 em Alagoas e apresentam medidas urgentes para tentar evitar o colapso nas redes de saúde pública e privadas do Estado.
No documento, publicado pelo blogo do Ricardo Mota, Fernando Luiz de Andrade Maia, presidente da Sociedade Alagoana de Infectologia sugere a necessidade de várias ações. Entre elas, a “adoção de medidas urgentes para reduzir a sobrecarga nas unidades de pronto-atendimento (UPAs), que são cruciais para dar o suporte inicial aos casos mais graves, que necessitam de atendimento imediato”.
Fernando Maia também sugere “oferta de pronto-atendimento hospitalar, em hospitais que disponham de leitos de internação pelo SUS (enfermaria e UTI), destinados à COVID-19, para atendimento imediato dos casos com sinais de complicações identificados por médicos das unidades básicas e dos ambulatórios. Isto daria mais fôlego as UPAs, que são atualmente passagem obrigatória para que o paciente tenha acesso aos hospitais. Assim, as UPAS conseguiriam atender mais rapidamente o cidadão que as procurem espontaneamente, ao se perceber com sintomas que podem indicar complicações, além de reduzir o tempo entre a identificação dos primeiros sinais de gravidade e o inicio do tratamento;”.
Veja o texto na íntegra
Carta aberta aos Gestores Públicos e a população alagoana
Maceió, 07 de maio 2020
A Sociedade Alagoana de Infectologia vem a público reforçar a grande preocupação com o impacto da Pandemia de COVID-19 à saúde da população do Estado. À semelhança do que vem ocorrendo em várias regiões do país, o número diário de casos novos e de óbitos mostra que as medidas de contenção/mitigação e de readequação da rede assistencial adotadas até o momento são insuficientes, diante da característica de alta transmissibilidade do novo coronavírus (Sars-cov-2).
Em documento anterior, divulgado recentemente, pontuamos as fragilidades na rede de assistência à saúde, frente a uma epidemia com tal magnitude. Desde então, testemunhamos a antecipação do colapso previsto. Porém ao que nos parece, a sobrecarga vivida até o momento é a continuação e a exacerbação das dificuldades já vividas na saúde pública, agora com extensão também para a rede privada.
Por senso de responsabilidade, nos debruçamos mais uma vez sobre a problemática da assistência aos cidadãos com síndrome gripal, ou seja, com suspeita de covid-19, e elaboramos mais um documento de recomendações, denominado “Manejo Ambulatorial do Paciente com Síndrome Gripal durante a Pandemia de COVID-19”.
Neste documento, recomendamos medidas urgentes de readequação dos fluxos assistenciais, que atualmente apresentam gargalos e inadequações que contribuem para retardar o atendimento oportuno dos casos mais complicados. Dentre as medidas sugeridas, citamos aqui as que provavelmente geram mais impacto na letalidade/mortalidade:
– Ampliação na oferta atendimento ambulatorial às pessoas com sintomas gripais, adequado e resolutivo, que possibilite a assistência dos pacientes já na fase inicial da doença, com oferta de exames básicos capazes de sinalizar indícios de complicações (aqui NÃO se inclui o teste rápido), e o mais importante, o atendimento cuidadoso, fora de ambientes de urgência-emergência, para detectar a presença fatores de riscos e fornecer informações claras, que evitem a chegada do paciente já em estágio complicado.
– Adoção de medidas urgentes para reduzir a sobrecarga nas unidades de pronto-atendimento (UPAs), que são cruciais para dar o suporte inicial aos casos mais graves, que necessitam de atendimento imediato;
– Oferta de pronto-atendimento hospitalar, em hospitais que disponham de leitos de internação pelo SUS (enfermaria e UTI), destinados à COVID-19, para atendimento imediato dos casos com sinais de complicações identificados por médicos das unidades básicas e dos ambulatórios. Isto daria mais fôlego as UPAs, que são atualmente passagem obrigatória para que o paciente tenha acesso aos hospitais. Assim, as UPAS conseguiriam atender mais rapidamente o cidadão que as procurem espontaneamente, ao se perceber com sintomas que podem indicar complicações, além de reduzir o tempo entre a identificação dos primeiros sinais de gravidade e o inicio do tratamento;
– Ampliação da oferta de ambulâncias, para dar celeridade às transferências entre unidades de pronto-atendimento e os leitos hospitalares;
– Início precoce de medicações com possível impacto favorável na evolução da doença, ESPECIFICAMENTE PARA PESSOAS COM FATORES DE RISCO E QUE AINDA NÃO TENHAM INDICAÇÃO PARA INTERNAÇÃO HOSPITALAR, se o paciente, após esclarecimento dos riscos e benefícios, assim o quiser, e não tiver contraindicações ao seu uso;
Continuamos confiantes de que os gestores públicos do nosso Estado e municípios alagoanos não pouparão esforços para assistir a população da melhor forma possível, e nos mantemos a disposição para dar auxílio técnico no que for pertinente à esta Sociedade Médica.
Atenciosamente,
Fernando Luiz de Andrade Maia
Presidente da Sociedade Alagoana de Infectologia


