Esportes
Flamengo critica proibição das bets e cita risco de mercado ilegal
Clube recebeu R$ 269 milhões em patrocínios de bets durante 2025
O Flamengo se posicionou nesta sexta-feira (25) contra uma eventual proibição das apostas esportivas no Brasil. Em nota publicada no site oficial, o clube defendeu o aperfeiçoamento da regulamentação e afirmou que retirar as empresas autorizadas do mercado poderia ampliar a atuação de plataformas clandestinas.
A manifestação ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarar, na quarta-feira (23), que pretende acabar com as bets no Brasil. Durante um ato de campanha no Rio de Janeiro, o presidente também afirmou que os clubes de futebol precisariam buscar outras formas de financiamento.
Na nota intitulada “Proibir não acaba com o jogo”, o Flamengo afirmou que o setor passou por um processo de regulamentação e que empresas fizeram investimentos e passaram a cumprir exigências de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
“Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.”
O clube afirmou que não considera a regulamentação definitiva e defendeu mudanças nas regras quando necessárias.
“Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.”
MERCADO ILEGAL
Um dos principais argumentos apresentados pelo Flamengo é o possível crescimento do mercado clandestino caso as empresas autorizadas deixem de operar.
O clube citou uma pesquisa do Instituto Locomotiva realizada em maio de 2026 com 2.291 apostadores. A partir dos dados, estudo da LCA Consultores estima que entre 38% e 44% do valor apostado on-line no país esteja atualmente em plataformas clandestinas. Segundo os números apresentados pelo Flamengo, essa participação era estimada entre 41% e 51% em 2025 e caiu para a faixa de 38% a 44% no primeiro semestre de 2026, após a regulamentação.
“O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.”
O Flamengo também afirmou que uma eventual proibição poderia reduzir a arrecadação pública e os recursos destinados ao esporte por meio da atividade regulamentada.
IMPACTO NO FUTEBOL
Na avaliação do clube, uma mudança no modelo atual poderia atingir diferentes áreas do esporte, incluindo futebol profissional, categorias de base, futebol feminino e modalidades olímpicas.
A instituição também citou possíveis impactos sobre empregos, fornecedores e empresas dos setores de comunicação, marketing e tecnologia que mantêm relações comerciais com o esporte.
A posição do Flamengo ocorre em um cenário no qual as casas de apostas têm participação significativa nas receitas de marketing dos principais clubes brasileiros.
PATROCÍNIOS
Levantamento da Sports Value mostra que o Flamengo recebeu R$ 269 milhões em patrocínios de casas de apostas em 2025. O valor correspondeu a 50% dos R$ 541 milhões obtidos pelo clube com marketing e a 13% de sua receita total, que chegou a R$ 2,09 bilhões no período.
No conjunto dos 20 maiores clubes brasileiros, os patrocínios de bets somaram cerca de R$ 1,14 bilhão em 2025, equivalente a 34% das receitas de marketing. Em 2024, o valor havia sido de R$ 618 milhões, segundo a mesma análise.
O Flamengo aparece com o maior valor absoluto entre os clubes detalhados individualmente pela Sports Value. Corinthians, São Paulo e Palmeiras vêm na sequência, com R$ 150 milhões, R$ 113 milhões e R$ 100 milhões, respectivamente.
A possível mudança nas regras também mobilizou outros integrantes do futebol brasileiro. Segundo informações divulgadas nesta semana, clubes e empresas do setor de apostas discutem os efeitos que novas restrições poderiam provocar nos contratos de patrocínio.
