Agro

Alagoas importa 6,5 vezes mais frutas e hortaliças do que produz

Tomate foi o produto com maior volume trazido de outros estados

Por Redação 26/09/2026 10h10
Alagoas importa 6,5 vezes mais frutas e hortaliças do que produz
Frutas e hortaliças vendidas em feira livre de Alagoas - Foto: Reprodução

Alagoas importou cerca de 81,2 mil toneladas de frutas e hortaliças entre 2019 e 2022, enquanto a produção média dos 13 alimentos analisados ficou em aproximadamente 12,6 mil toneladas. O volume adquirido de outros estados foi, portanto, cerca de 6,5 vezes maior que a produção registrada no estado.

O levantamento aponta que Alagoas produziu menos do que importou em 11 dos 13 produtos analisados. As exceções foram a banana, que reúne as variedades prata e comprida, e a alface, cuja produção local também superou o volume trazido de outros estados.

Os dados consideram a produção estadual e a entrada de alimentos provenientes de outras unidades da Federação. O levantamento não representa toda a produção agrícola nem todo o consumo de frutas e hortaliças de Alagoas.

TOMATE LIDERA IMPORTAÇÕES


O tomate apresentou a maior diferença entre produção e entrada de outros estados. Alagoas produziu, em média, 180 toneladas no período, enquanto as importações chegaram a 18.155 toneladas — cerca de 101 vezes o volume produzido localmente.

A batata aparece na sequência, com 15.294 toneladas importadas e nenhuma produção registrada nas médias analisadas.

A melancia teve 241 toneladas produzidas em Alagoas e 11.408 toneladas provenientes de outros estados. Já a cebola também não apresentou produção local, enquanto 9.052 toneladas foram importadas.

Outro exemplo é a cenoura. O estado produziu apenas 10 toneladas, diante de 8.125 toneladas importadas.

O inhame registrou 428 toneladas de produção e 7.300 toneladas importadas. Na abóbora, foram 80 toneladas produzidas localmente contra 3.051 toneladas trazidas de fora.

BANANA E ALFACE


A banana-prata e a banana-comprida foram as únicas frutas do levantamento em que a produção alagoana ficou acima do volume importado. A média chegou a 7.023 toneladas produzidas, enquanto 3.341 toneladas vieram de outros estados.

Na produção de alface, a diferença também favoreceu o mercado local: foram 2.674 toneladas produzidas contra 497 toneladas importadas.

Nos demais alimentos, as entradas externas superaram a produção estadual.

Alagoas produziu 1.470 toneladas de mamão-havaí e importou 1.615 toneladas. Na manga-espada, foram 444 toneladas produzidas e 1.136 toneladas importadas.

O melão não apresentou produção registrada nas médias do período, mas 2.255 toneladas foram trazidas de outros estados.

No caso do maracujá, a produção média indicada foi de 0,75 tonelada, enquanto as importações chegaram a 2,22 toneladas.

DEPENDÊNCIA EXTERNA


A diferença entre produção e importação indica que parte significativa do abastecimento desses alimentos depende da produção de outros estados. Essa característica pode deixar o mercado alagoano mais exposto a variações de safra, preços, fretes e condições de transporte nas regiões fornecedoras.

O deslocamento também pode representar custos adicionais relacionados a combustível, armazenamento e perdas de produtos perecíveis durante o transporte.

Os números ainda apontam possibilidades de ampliação da produção local em determinados segmentos, especialmente por meio de medidas como assistência técnica, irrigação, distribuição de sementes e aproximação entre agricultores, feiras, supermercados e centrais de abastecimento.

A diferença entre produção e importação, porém, não permite concluir isoladamente que todos os alimentos poderiam ser produzidos em quantidade suficiente no estado. Questões climáticas, disponibilidade de água, características do solo, custos e demanda também influenciam a capacidade de expansão de cada cultura.

O levantamento, portanto, mostra o tamanho da dependência de outros estados para determinados produtos e indica setores nos quais o aumento da produção alagoana poderia contribuir para diversificar o abastecimento.