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Pesquisa aponta que torcida vê Seleção pronta para ciclo sem Neymar
Levantamento mostra que 46% dos brasileiros acreditam que o atacante não deve seguir na equipe visando a Copa do Mundo de 2030
Um novo ciclo da Copa do Mundo começa nesta segunda-feira (20). Faltam 1.419 dias para o próximo Mundial e, após a pior campanha desde 1990 — com eliminação nas oitavas de final para a Noruega —, o torcedor brasileiro já questiona o futuro da Seleção. Uma das principais dúvidas é sobre a continuidade de Neymar com a camisa amarela. Ainda há espaço para ele?
Segundo a última rodada da pesquisa Eu Vi o Brasil - O país do futebol?, realizada semanalmente pela agência IMO Insights com homens e mulheres a partir de 18 anos, 46% dos entrevistados consideram que o ciclo de Neymar na Seleção já se encerrou. Apesar do número expressivo, não representa maioria absoluta.
Na contramão, 36% do público acredita que o atacante de 34 anos merece continuar defendendo o Brasil. Neymar terá 38 anos na próxima Copa, idade inferior à de Lionel Messi na edição deste ano. Outros 18% dos entrevistados não têm opinião definida sobre a permanência do jogador.
Apesar da divisão de opiniões, a imagem de Neymar junto à torcida sofreu desgaste. Para 67% dos pesquisados, a saída do camisa 10 abre espaço para uma renovação pensando em 2030. Apenas 14% discordam e, novamente, 18% não têm posição definida.
"Em relação ao levantamento antes do início da Copa, Neymar perdeu seis pontos percentuais como jogador preferido, aumentou três pontos como o atleta de quem os brasileiros menos gostam — liderando esse indicador com folga —, e caiu cinco pontos como jogador que melhor representa o espírito da Seleção", afirmou Simona Karen Miranda, diretora de Operações da IMO, à Agência Brasil.
Segundo Simona, "os números sugerem que a discussão em torno de Neymar deixou de ser apenas técnica e passou a refletir um desejo de mudança de ciclo por parte de uma parcela significativa dos brasileiros. Não indica apenas uma perda de popularidade do jogador, mas também uma maior disposição do torcedor para enxergar o futuro da Seleção sem ele".
Neymar conviveu com lesões durante o último ciclo. Para a Copa deste ano, chegou à Seleção ainda em recuperação de uma lesão grau dois na panturrilha direita. No Mundial, atuou apenas 55 minutos: 15 na terceira rodada, contra a Escócia, e cerca de 40 na eliminação para a Noruega, quando marcou de pênalti.
O futuro de Neymar como profissional é incerto. Após a eliminação, seu pai e empresário, Neymar da Silva Santos, divulgou uma carta aberta pedindo que o filho não encerre a carreira. O camisa 10 tem contrato com o Santos até o fim deste ano e se reapresentou ao clube na última sexta-feira (17).
Caso sua passagem pela Seleção tenha terminado, Neymar se despede com 80 gols em 130 jogos oficiais pela Fifa — maior artilheiro da história da Amarelinha, superando Pelé (77 gols). Ele também conquistou o ouro olímpico nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, e foi campeão da Copa das Confederações de 2013.
Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Round of 16 - Brazil v Norway - New York New Jersey Stadium, East Rutherford, New Jersey, U.S. - July 5, 2026. Neymar em ação. IMAGN IMAGES via Reuters/Caean Couto - Reuters/Caean Couto/Arquivo/Proibida reprodução
O peso da CBF
Mais do que Neymar, a percepção do público é de que o novo ciclo da Seleção deve vir acompanhado de uma transformação na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entre 2022 e 2026, a entidade passou por trocas polêmicas na presidência e quatro mudanças de treinador: de Ramon Menezes (interino) a Carlo Ancelotti, passando por Fernando Diniz e Dorival Júnior.
De acordo com a pesquisa, 86% dos entrevistados concordam que a CBF precisa de "mudanças profundas para que o Brasil volte a ser uma potência no futebol mundial". Além disso, 72% acreditam que problemas de gestão contribuíram para a queda precoce da Seleção.
Curiosamente, apenas 14% do público consideram a CBF a principal responsável pela eliminação nas oitavas. O desempenho dos jogadores (30%), as decisões de Ancelotti (20%) e a convocação (19%) foram mais responsabilizados do que a entidade. Apenas 6% avaliaram que a Noruega, adversária que eliminou o Brasil, foi simplesmente melhor.
"Nossa pesquisa mostra que grande parte da conexão do brasileiro com o futebol é construída pela nostalgia das grandes conquistas do passado, o que mantém viva a crença de que o Brasil continua sendo uma potência. Em vez disso, os brasileiros tendem a responsabilizar fatores circunstanciais", conclui Simona.

