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Impedido de atuar na Copa, árbitro é recebido como herói na Somália

Omar Abdulkadir Artan voltou à Somália após ser impedido de ingressar nos Estados Unidos, onde participaria da Copa do Mundo como integrante da equipe de arbitragem.

Por Redação 10/06/2026 09h09
Impedido de atuar na Copa, árbitro é recebido como herói na Somália
Reconhecido como um dos principais árbitros africanos da atualidade, Artan agradeceu o apoio recebido após o episódio que o afastou do torneio. - Foto: Reprodução/X

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan retornou a Mogadíscio nesta quarta-feira (10) após ter sua entrada negada nos Estados Unidos, onde atuaria na Copa do Mundo. Recebido por torcedores e autoridades locais, ele agradeceu o apoio da Fifa, da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da população somali, mas evitou comentar os motivos que levaram ao impedimento.

A chegada de Omar Artan à capital da Somália foi marcada por homenagens e manifestações de apoio. Considerado um dos principais nomes da arbitragem africana, ele desembarcou em Mogadíscio sob aplausos após ver frustrado o sonho de participar da principal competição do futebol mundial.


Artan havia sido selecionado para integrar o quadro de arbitragem da Copa do Mundo e estava prestes a se tornar o primeiro somali a exercer a função no torneio. A trajetória histórica, porém, foi interrompida no último fim de semana, quando ele foi impedido de entrar nos Estados Unidos por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras do país.


Durante o retorno à Somália, o árbitro preferiu não entrar em detalhes sobre o caso, limitando-se a agradecer o apoio recebido nos últimos dias.


“O que aconteceu, aconteceu, e foi destino. Sou grato pelo apoio que a Fifa me deu”, declarou aos jornalistas.


O episódio ganhou repercussão internacional após o governo do presidente Donald Trump afirmar, na terça-feira (9), que a entrada do árbitro foi negada devido a supostas ligações com pessoas investigadas por envolvimento com organizações terroristas.


A situação ocorre em meio a uma política migratória mais rígida adotada pelos Estados Unidos e levanta debates sobre os impactos dessas medidas em eventos esportivos internacionais. A próxima Copa do Mundo será sediada conjuntamente pelos Estados Unidos, México e Canadá.


Apesar da decepção, Artan procurou transmitir uma mensagem de esperança durante seu pronunciamento. Em um discurso direcionado aos jovens somalis, reforçou o sentimento de pertencimento ao país e incentivou a população a manter a confiança no futuro.


“A Somália é nossa, seja nos momentos bons ou ruins. Quero dizer aos nossos jovens para não perderem a esperança em nosso país. Agora estou no meu país, e não há outro lugar onde eu queira estar”, afirmou.


Reconhecido como Árbitro Africano do Ano em 2025, Omar Artan é considerado um dos expoentes da arbitragem no continente. Seu impedimento de participar da Copa do Mundo representa não apenas uma perda pessoal, mas também um revés simbólico para a representatividade da Somália no cenário esportivo internacional.