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Gustavo Feijó é retirado de investigação sobre invasão de e-mails da CBF; entenda

Inquérito confirma acesso ilegal a contas da entidade, mas é encerrado com recomendação de arquivamento

Por Redação* 27/01/2026 10h10 - Atualizado em 27/01/2026 10h10
Gustavo Feijó é retirado de investigação sobre invasão de e-mails da CBF; entenda
Gustavo Feijó - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu o inquérito que apurava a invasão a contas institucionais de e-mail da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ocorrida na noite de 4 de março de 2022, na sede da entidade, na Barra da Tijuca. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público com recomendação de arquivamento, após a confirmação do acesso ilegal aos sistemas, sem que fosse possível identificar a autoria.

A investigação foi instaurada para apurar possível prática do crime de invasão de dispositivo informático, previsto no artigo 154-A do Código Penal. O caso ganhou repercussão por envolver o redirecionamento indevido de mensagens do gabinete da presidência da CBF para a conta institucional de Gustavo Feijó, então vice-presidente da entidade e, atualmente, diretor de seleções da confederação.

Segundo o relatório final, o acesso irregular ocorreu por meio da funcionalidade de redirecionamento automático de e-mails institucionais, mecanismo que permitiu o envio de mensagens internas a terceiros sem detecção imediata. Entre os conteúdos redirecionados havia comunicação considerada sensível, relacionada à interlocução da CBF com a Fifa, em meio a questionamentos sobre alterações estatutárias e o processo eleitoral da entidade.

Os registros analisados indicam que o redirecionamento foi realizado às 21h55, poucos minutos após a saída do então presidente interino da CBF, Ednaldo Rodrigues, das dependências da sede, às 21h54. Imagens do sistema interno de câmeras e dados de auditoria reforçaram a suspeita inicial de que o acesso tenha ocorrido dentro da própria rede da entidade.

Ao longo da apuração, foram ouvidos funcionários do gabinete da presidência, profissionais da área de Tecnologia da Informação, administradores de rede e peritos em computação forense. Também foram analisados servidores, computadores, dispositivos móveis, registros de acesso, endereços IP e logs do sistema. A perícia confirmou movimentação indevida de mensagens, inclusive com indícios de exclusão de conteúdos das pastas “enviados” e da lixeira.

Apesar da confirmação da materialidade do acesso não autorizado, a Polícia Civil concluiu que não foi possível identificar a máquina utilizada nem atribuir a ação a um usuário específico. Parte dos registros técnicos considerados essenciais não estava mais disponível ou apresentava inconsistências que impediram a reconstrução completa dos fatos. Além disso, relatórios produzidos a partir de dados indiretos não puderam ser integralmente validados pela perícia oficial.

O inquérito também apontou que não houve comprovação de invasão externa aos sistemas da CBF, já que todos os acessos identificados ocorreram dentro da rede interna da entidade. A hipótese de uso indevido de credenciais ou permissões internas foi considerada, mas não confirmada.

Diante do esgotamento das diligências e da impossibilidade de individualizar a autoria, o delegado Neilson dos Santos Nogueira, titular da 16ª Delegacia de Polícia, recomendou o envio dos autos ao Ministério Público com sugestão de arquivamento. Com isso, Gustavo Feijó deixa de figurar como suspeito no caso, que permanece registrado como invasão informática sem autor identificado.

Com Jornal Extra.