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Entre defesas e lembranças: Ariel, goleiro do CSA, transforma dor em homenagem ao pai

Na Copinha, jovem atleta brilha e dedica cada conquista à memória de Pedro Lúcio, vítima da violência no futebol

Por Nichollas Judson* 08/01/2026 19h07 - Atualizado em 08/01/2026 20h08
Entre defesas e lembranças: Ariel, goleiro do CSA, transforma dor em homenagem ao pai
Pedro Ariel fez uma homenagem ao pai após jogo - Foto: Reprodução/Instagram

O goleiro Pedro Ariel, destaque do CSA na Copa São Paulo de Futebol Júnior, foi protagonista no empate contra o Bahia, na última terça-feira (6), ao defender o rebote de um pênalti e garantir o resultado sem gols. Mais do que a atuação, o jovem emocionou ao dedicar o jogo à memória do pai, Pedro Lúcio dos Santos, assassinado em 2023, em um episódio envolvendo integrantes de uma torcida organizada.

Nas redes sociais, Ariel publicou uma foto com a frase “Peu vive”, em referência ao pai.

“Sempre uma grande emoção, sempre fomos apaixonados por esse clube, vivemos intensamente muitas temporadas. Hoje estou aqui jogando por nossa família e principalmente por ele”, disse o goleiro.

Pedro,conhecido como Peu, tinha 47 anos quando foi espancado com barras de ferro após uma partida do CSA. Ele não fazia parte de torcida organizada e deixou quatro filhos e três netos. Dois acusados foram condenados a 28 anos de prisão.

A mãe do atleta, Cristiane Lima da Silva, acompanha cada passo do filho e revelou detalhes da trajetória que moldaram a personalidade do jovem.

“Estou muito feliz, como mãe e estando ao lado dele desde sempre, nunca deixei meu filho se sentir só ou desacreditar da vida. Ariel é sinônimo de determinação, superação, resistência e resiliência, dono de uma personalidade forte, sempre acreditei que um dia ele fosse se destacar", disse.

Cristiane contou que Ariel desmontrava desde criança que queria jogar futebol e que ele gostava de participar de tudo referente ao esporte.

"Começou no futsal da escola aos 5 anos, depois foi para uma escolinha de futebol aos 7. Gostava de participar de tudo, inclusive do judô, onde conquistou títulos e trocas de faixa. É um rapaz de muita garra, mas calado em relação ao que sente. Sabemos que tudo que aconteceu dói muito, mas ele prefere o silêncio. Ariel é um menino/homem que demonstra desde cedo foco, força e muita fé”, relatou Cristiane Lima.

Ela também lembrou que o sonho do filho já estava presente desde a infância. “Quando pequeno, Ariel gostava de assistir vídeos de jogadores no YouTube e pedia para que eu escrevesse a história dele, porque um dia iria contar para todos. Hoje vejo que aquele desejo de criança está se tornando realidade”.

Sobre a homenagem ao pai, ela acrescenta: "Apesar de não morar com o pai, eles eram muito próximos. Ele sente muito a falta do pai e já disse várias vezes que o único lugar onde esquece do que aconteceu é quando está treinando ou jogando. Depois do ocorrido, Ariel só ficou três dias em casa sem treinar. Ele surpreendeu por ter retornado tão rápido à escola e aos treinos. Foi quando me disse que não adiantava nada ficar em casa, precisava voltar para a rotina dele, pois tinha um sonho para realizar. Ele é merecedor de tudo que está vivendo, estamos todos muito felizes”, declarou.

O supervisor das categorias de base do CSA, Elisson Laurentino resumiu o impacto da homenagem. “Foi um momento muito forte e de grande impacto emocional. Ver um jovem atleta transformar uma perda tão traumática em um gesto de respeito e memória nos emociona e nos faz refletir sobre o peso que o futebol pode ter na vida das pessoas.”

Encerrando sua homenagem, Ariel deixou claro que a memória do pai seguirá presente em cada passo de sua carreira.

“Significa muito, não irei parar por aqui. Por toda minha carreira eu levarei sempre ele e toda a família, que é o meu combustível diário”, concluiu.

Agora, o goleiro volta suas atenções para o próximo desafio. O CSA fecha a participação na primeira fase da Copinha nesta sexta-feira (9), contra a Inter de Limeira, às 8h45, e Ariel promete seguir defendendo não apenas as cores do clube, mas também a história que carrega no coração.

Foto: Izidório Fotografia

*Estagiário sob supervisão