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Clássico de Chico Buarque ganha montagem alagoana em dezembro
Produção reúne artistas e profissionais locais em uma experiência que combina canto, dança e interpretação
Uma das obras mais conhecidas de Chico Buarque chegará aos palcos alagoanos em uma montagem produzida em Maceió. “A Ópera do Malandro” terá apresentações nos dias 12 e 13 de dezembro, às 19h30, no Tripinha – Espaço Gajuru Cultural, no bairro de Jaraguá. O espetáculo reúne 24 artistas, músicos ao vivo e uma equipe formada majoritariamente por profissionais do estado.
Realizada pela VOX Music Class, a produção mantém a ambientação da história original, situada na Lapa, no Rio de Janeiro da década de 1940, mas propõe uma leitura que aproxima os conflitos da obra de questões sociais contemporâneas, como corrupção, desigualdade, exploração econômica e violência.
Escrita por Chico Buarque, “A Ópera do Malandro” apresenta personagens envolvidos em relações de interesse, disputas de poder e estratégias de sobrevivência. Entre a malandragem e os negócios, a narrativa questiona os limites entre legalidade, exploração e moralidade.
Na montagem alagoana, a trajetória de Geni ganha uma abordagem relacionada à violência transfóbica e à exclusão social. A construção da personagem também evoca a memória de Dandara dos Santos, mulher trans assassinada em Fortaleza, em 2017.
Segundo o diretor musical Diogo Oliveira, a proposta é transformar o desfecho de Geni em um gesto de resistência e afirmação do direito à vida.
“Nessa leitura, Geni deixa de ocupar exclusivamente o lugar de vítima da violência coletiva para assumir uma dimensão de resistência diante da intolerância e da desumanização. A montagem busca, assim, equilibrar a atmosfera histórica da obra com reflexões sobre temas que continuam mobilizando a sociedade contemporânea”, acrescenta o diretor.
O repertório terá execução integral ao vivo, sem playback, com participação de músicos e intérpretes durante a narrativa. A direção musical é assinada por Diogo Oliveira, enquanto a preparação coral fica a cargo de Jhonnatha Malaquias. Os arranjos vocais são de Manoel Jr. e Jhonnatha Malaquias.
A equipe instrumental conta com Franklin Muniz, no piano; Chico Torres, no violão; e Danny Gibi, na percussão.
A direção cênica é compartilhada por Homero Cavalcante, Carlos Alberto Barros e Alexandre Lima, com assistência de direção e preparação de elenco de Silvie Leal. Wallison Melquezedeque assina a direção coreográfica.
A cenografia, concebida por Carlos Alberto Barros, Alexandre Lima e Silvie Leal, busca recriar a atmosfera boêmia da Lapa carioca. Os figurinos são assinados por Viviane Barbosa.
“O desafio da montagem está justamente na integração dessas diferentes linguagens. Em cena, os artistas precisam cantar, dançar e interpretar simultaneamente, exigindo preparação vocal, consciência corporal e domínio da expressão dramática”, explica Diogo Oliveira.
A estreia é resultado de um processo de formação iniciado em abril de 2026. O projeto foi idealizado pela VOX Music Class, centro de formação artística sediado em Maceió, e contemplado pelo Edital Estadual de Produção Cultural 5.2 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult).
A iniciativa viabilizou uma oficina integrada de canto, dança e atuação, tendo a obra de Chico Buarque como objeto de estudo. A proposta previa, desde o início, transformar o aprendizado em uma montagem teatral.
Ao longo de aproximadamente oito meses, os participantes passaram por atividades de interpretação, técnica vocal, expressão corporal, coreografia e construção de personagens. Para Diogo Oliveira, o trabalho também representa uma oportunidade de ampliar a formação de artistas capazes de integrar diferentes linguagens em produções de teatro musical.
“Embora a ambientação permaneça fiel ao Rio de Janeiro dos anos 1940, a identidade alagoana está presente na equipe que constrói o espetáculo, valorizando talentos locais e demonstrando a capacidade de produção cênico-musical do estado”, concluiu.
As apresentações de dezembro marcam a estreia da montagem. A produção também planeja levar o espetáculo a outros municípios alagoanos, especialmente Arapiraca e Penedo. Uma futura temporada no Teatro Deodoro, em Maceió, também está nos planos, após a conclusão das obras de reforma e reabertura do espaço. Ainda não há datas confirmadas para essas apresentações.
Com duração estimada de duas horas e vinte minutos e classificação indicativa de 14 anos, a montagem contará com intérpretes de Libras, reserva de lugares para pessoas com deficiência e estrutura de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla. No lote inicial, o valor promocional é de R$ 60, com todos pagando meia-entrada. O link de compra está disponível na biografia do Instagram da VOX Music Class.
Serviço
“A Ópera do Malandro”, de Chico Buarque
Datas: 12 e 13 de dezembro de 2026
Horário: 19h30
Local: Tripinha – Espaço Gajuru Cultural, bairro de Jaraguá, Maceió
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: R$ 60 no lote promocional, com todos pagando meia-entrada
Vendas: plataforma Sympla, com link na biografia do Instagram da VOX Music Class
