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'Estilista das estrelas', Bob Mackie morre aos 87 anos
Mackie ganhou nove prêmios Emmy, um prêmio Tony e foi indicado a três Oscars. Ele morreu vítima de pneumonia, informou sua assessoria de imprensa
14/09/2026 19h07
“Ele viveu seus 87 anos plenamente, realizando seu sonho de ser estilista e figurinista, que era tudo o que sempre quis fazer”, dizia um comunicado publicado em suas redes sociais. Mackie morreu em Palm Springs, na Califórnia, vítima de pneumonia, informou seu assessor de imprensa.
Conhecido como o “Estilista das Estrelas”, Mackie ganhou nove prêmios Emmy, um Tony e foi indicado a três Oscars, incluindo um pela produção de “Funny Lady”, estrelada por Barbra Streisand, na qual ela usou um vestido transparente com mangas em formato de asa de morcego. Em 2002, ele foi incluído no Hall da Fama da Academia de Artes e Ciências da Televisão.
Ele criou vestidos para Madonna, Streisand, Sharon Stone, Diana Ross e Julia Louis-Dreyfus, além de figurinos de shows para Pink. Quando Marilyn Monroe cantou uma versão sensual e sussurrada de “Happy Birthday” durante uma arrecadação de fundos para o presidente John F. Kennedy e o Comitê Nacional Democrata, ela usou um vestido transparente e coberto de pedrarias, criado a partir de um desenho de Mackie.
A influência de Bob Mackie
Sua influência pode ser percebida nos estilos de Kendall Jenner e Bella Hadid. Atualmente, peças de seu acervo são usadas por artistas como Anya Taylor-Joy, Miley Cyrus e Zendaya. Esta última vestiu um modelo de Mackie para homenagear Cher durante a cerimônia de inclusão no Hall da Fama do Rock & Roll, em 2024.
Quando Taylor Swift quis assumir o visual de uma showgirl na capa de seu álbum de 2025, “The Life of a Showgirl”, ela recorreu a algumas criações originais de Mackie.
Paetês e pedrarias eram elementos naturais em seus trabalhos — ele também recebeu apelidos como “Sultão dos Paetês”, “Rajá dos Strass” e “Guru do Glitter” —, mas seguia um lema simples: “Você não tenta mudar ninguém, apenas tenta fazer com que a pessoa fique melhor do que nunca”, disse à Associated Press em 2018.
Homenagens vieram de outros estilistas e de pessoas que tiveram a oportunidade de vestir suas criações. A atriz Kristin Chenoweth o chamou de “lenda”, enquanto o estilista Isaac Mizrahi escreveu simplesmente: “de coração partido”. A atriz Alyssa Milano o classificou como “um dos melhores que já existiram”.
Na Broadway, Mackie vestiu os elencos de “On the Town”, em 1971, e “Moon Over Buffalo”, em 1995. Ele também criou figurinos para Burnett no musical “Putting It Together”, para Debbie Reynolds em “Debbie”, em 1976, para Liza Minnelli em “Minnelli on Minnelli”, em 1999, e, mais recentemente, para o elenco de “The Cher Show”, pelo qual ganhou seu prêmio Tony.
Mackie era natural do sul da Califórnia e, ainda criança, abraçou a ideia do glamour dos filmes de Hollywood, inspirado pelos musicais em Technicolor. Ele imaginava figurinos elaborados para sua mãe e sua irmã e os desenhava. Também participou da criação de figurinos e cenários para peças apresentadas em sua escola.
Ele estudou publicidade e ilustração no Pasadena City College e, posteriormente, design de figurinos no Chouinard Art Institute, em Los Angeles.
Mackie também cresceu admirando as estrelas dos programas de variedades e da música pop das décadas de 1950 e 1960, especialmente seus figurinos cheios de brilho. Ele começou a trabalhar para a figurinista Edith Head e, depois, conseguiu o trabalho em “The Carol Burnett Show”.
Bob Mackie com Cher e Carol Burnett
Mackie e Burnett tinham uma amizade próxima e trabalharam juntos na criação de personagens memoráveis, como Nora Desmond, Eunice e a versão de Scarlett O’Hara interpretada por Burnett em “...E o Vento Levou”, chamada de Starlet O’Hara. Na ocasião, ela usava seu famoso vestido verde feito de cortinas, ainda preso às hastes.
“Eu adoro fazer coisas engraçadas”, disse Mackie em uma entrevista à AP em 1999. “Em uma semana, eu tinha que fazer a Carol parecer uma funcionária dos Correios pouco atraente, e sabe-se lá o que eu teria que fazer na semana seguinte.” O vestido de Starlet atualmente faz parte do acervo do Museu Nacional de História Americana do Smithsonian.
O trabalho de Mackie na televisão continuou em “The Sonny and Cher Show”, depois que Cher participou como convidada do programa de Burnett e se aproximou do estilista. Ele já havia dito que sua personagem Laverne, com seu macacão estampado de leopardo e brincos longos, era uma de suas favoritas.
A parceria entre ele e Cher ganhou um tom muito mais sensual quando ela passou a atuar em filmes e foi convidada para o Oscar. Todos aqueles figurinos bordados e que deixavam a barriga à mostra usados por ela nos tradicionais tapetes vermelhos foram criados por Mackie.

Mackie acompanhou Cher ao Met Gala de 1974. Ela usava o que talvez seja um dos mais famosos chamados “vestidos nus” de todos os tempos: um vestido transparente coberto de pedrarias, com mangas e saia de penas brancas. Cher e o vestido acabaram na capa da revista Time.
Looks como o vestido de teia de aranha coberto de pedrarias de 1986 — usado com um corte de cabelo moicano — e o vestido extremamente revelador que ela usou ao vencer o Oscar de melhor atriz, em 1988, chamaram a atenção e provocaram comentários na época.
“Às vezes, as roupas são confundidas com moda, mas são figurinos, como os usados por um personagem em uma peça”, disse Mackie à AP em 1999. “Quero que as pessoas se divirtam. Quero que digam: ‘Isso não foi interessante?’ ou ‘Isso não foi incrível?’”
Ele tinha opiniões divergentes
Mackie teve algum sucesso no varejo nas décadas de 1980 e 1990. Em 1982, lançou uma linha de roupas prontas para vestir que, posteriormente, chegou às passarelas da Semana de Moda de Nova York. Ele também foi um dos primeiros parceiros da QVC.
Os “vestidos nus” ficaram cada vez mais populares, mas Mackie, já mais velho, não se mostrava impressionado com a tendência.
“Você assiste às premiações e pensa: ‘Cubra-se! Guarde isso! Querida, eu não preciso ver tudo isso!’. Chega a ser tão vulgar que você nem quer mais olhar”, disse ele ao The Hollywood Reporter em 2024.
“Eu estava tão entediado assistindo ao Met Ball — todo mundo mostrando tudo, os mesmos vestidos parecidos — que desliguei a televisão. Se você já viu uma Kardashian, viu todas. E nós já vimos todas elas.”
Mackie também criou dezenas de versões diferentes da boneca Barbie para a Mattel, com uma grande variedade de rostos, tipos físicos e histórias. Ele é considerado o primeiro estilista a criar uma boneca completa. Uma delas foi Lady Dracula Cher, com pequenas presas de vampiro e uma caixa que imitava um caixão.
O documentário “Bob Mackie: Naked Illusion” estreou em 2024. Um vestido de Mackie usado por Cher em 1975 foi leiloado naquele ano por US$ 101.600, 25 vezes acima de sua estimativa inicial.
Mackie foi casado com a showgirl Lulu Porter de 1960 a 1963. O filho do casal, o maquiador Robert Gordon Mackie Jr., morreu de Aids aos 35 anos. O figurinista Ray Aghayan, seu companheiro de longa data, morreu em 2011.
Mackie já havia dito que a praticidade nunca foi uma força determinante em seus projetos: “Tudo se resume a ter uma boa aparência e viver suas fantasias”.
Em 2017, aos 71 anos, Cher voltou a chamar a atenção ao usar dois figurinos exclusivos de Bob Mackie no Billboard Music Awards. Foi uma viagem a uma época diferente, bem distante do mundo da moda que ele considerava monótono.
“Nada é muito interessante hoje em dia”, disse ele à Vogue em 2017. “Você continua vendo as mesmas coisas repetidamente e não há surpresas. Infelizmente, não vemos mais muita moda.”
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