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Ex-assistente de produção processa Amazon por suposto assédio em série ‘Criminal’
Ijaaz Noohu acusa showrunner Ed Brubaker de assédio sexual e racial, discriminação religiosa e de ter apontado uma arma funcional para seu rosto durante as gravações
Um ex-assistente de produção da série de crime Criminal, da Amazon MGM Studios, entrou com uma ação judicial contra o estúdio e a Big Indie Pictures, acusando as empresas de ignorarem um ambiente de trabalho hostil supostamente criado pelo showrunner Ed Brubaker.
Ijaaz Noohu pede indenização em valor não especificado e apresenta acusações de assédio sexual e racial, discriminação religiosa, agressão, entre outras. Segundo o processo, apresentado na quarta-feira (2) em um tribunal estadual da Califórnia, Brubaker teria apontado uma arma de fogo funcional para o rosto de Noohu e puxado o gatilho. A ação não apresenta mais detalhes sobre o episódio.
Acusações de assédio
Noohu, cineasta americano de origem cingalesa, foi contratado para trabalhar em Criminal em fevereiro de 2023 pela Big Indie Pictures. A série é baseada no universo de histórias policiais criado por Brubaker nos quadrinhos.
De acordo com a ação, pouco depois de sua contratação, o showrunner teria iniciado uma sequência de episódios de “assédio sexual repetido e generalizado”. Entre os comportamentos citados estão comentários sobre passar as mãos no cabelo de Noohu, piadas sobre estupro e episódios em que Brubaker teria esfregado as costas do funcionário.
O processo também acusa Brubaker de fazer comentários considerados depreciativos relacionados à origem de Noohu. Entre os exemplos estão estereótipos sobre curry, referências ao estereótipo da “Tiger Mom”, menções à série Eu Nunca... e comentários sobre uma suposta facilidade do funcionário com matemática.
Ainda segundo a ação, Noohu era questionado com frequência sobre seu posicionamento em relação ao Hamas.
Episódio com arma
Noohu afirma que o ambiente de trabalho hostil teria culminado em um episódio no qual Brubaker apontou uma arma funcional para seu rosto e puxou o gatilho. O incidente teria sido presenciado por um produtor sênior, que, segundo a denúncia, não tomou providências.
Na ação, o advogado de Noohu, Fahim Rahman, afirma que o episódio demonstraria uma suposta “cultura de impunidade” no ambiente de produção da série.
A ação também afirma que Noohu teve sua saída antecipada depois de pedir uma promoção e contestar os comportamentos que considerava inadequados. Posteriormente, ele teria sido impedido de retornar ao set.
Segundo o processo, o vínculo profissional terminou em setembro de 2024, e Noohu não recebeu crédito na produção.
Estúdio é acusado de omissão
A ação também responsabiliza a Amazon MGM Studios e a Big Indie Pictures por supostamente não terem investigado as denúncias de assédio e discriminação, que, segundo Noohu, teriam ocorrido diante de várias pessoas, incluindo produtores seniores.
O processo cita ainda o produtor-executivo Phillip Barnett. Segundo a denúncia, ele teria orientado outras pessoas a não registrar reclamações e, em diferentes ocasiões, teria dito frases como “não diga isso na minha frente” e “lá, lá, não estou ouvindo isso”.
Procurada pela imprensa, a Amazon MGM Studios não comentou o processo. A Big Indie Pictures não respondeu ao pedido de posicionamento. Ed Brubaker também não respondeu à solicitação de comentário.
Primeira série de Brubaker como showrunner
A Amazon MGM Studios oficializou Criminal como série em 2024. A produção é baseada na aclamada série de quadrinhos criada por Ed Brubaker e pelo artista Sean Phillips.
A produção marca a primeira vez que Brubaker ocupa o cargo de showrunner em uma série de televisão. O roteirista também tem créditos em produções como Westworld, Too Old to Die Young e Batman: Caped Crusader.
Nos quadrinhos, Brubaker é conhecido por trabalhos para Marvel e DC, incluindo Batman, Mulher Gato, Demolidor e Capitão América. Ele também é um dos criadores do Soldado Invernal, personagem posteriormente adaptado para o cinema pelo Marvel Studios.
