Entretenimento
“Não sou iniciante”: Zara Larsson rejeita categoria do Grammy 2027
Cantora afirmou que a categoria não representaria sua trajetória de 13 anos na música e descobriu depois que já não poderia concorrer
Zara Larsson não quis esperar uma indicação ao Grammy 2027 para fazer uma ressalva: para ela, disputar o prêmio de Artista Revelação não faria sentido diante de mais de uma década dedicada à música.
Em entrevista à revista Perfect, a cantora sueca contou que sua antiga gravadora, a Epic Records, chegou a considerar inscrevê-la na categoria. Larsson, porém, não demonstrou interesse na possibilidade e explicou que enxergaria a indicação como um apagamento de sua trajetória.
“Eles disseram: ‘Sim, vamos ver se conseguimos te indicar para Artista Revelação no Grammy‘”, afirmou a cantora. “E eu penso: ‘Nem quero isso. Isso desmereceria meus 13 anos como artista. Não sou uma artista iniciante.’”
A questão, no entanto, tinha ainda outro detalhe: Zara já não poderia concorrer à categoria. O motivo é uma indicação anterior ao Grammy como intérprete.
A relação da artista com a música começou cedo. Em 2008, aos 11 anos, ela venceu a segunda temporada do programa sueco Talang, após interpretar “My Heart Will Go On”, de Celine Dion.
Aos 15, em 2012, assinou com a TEN Music Group. No ano seguinte, lançou o EP Introducing, que trouxe “Uncover”, música que alcançou o topo das paradas em países escandinavos e ajudou a abrir as portas para um contrato com a Epic Records.
O álbum de estreia, 1, chegou em 2014. Três anos depois, Zara ganhou projeção internacional com So Good, que contou com o hit “Lush Life”. Na sequência, vieram Poster Girl (2021), Venus (2024) e, mais recentemente, Midnight Sun (2025).
O trabalho mais recente atingiu o primeiro lugar na Suécia e recebeu elogios da crítica internacional. A faixa que dá nome ao disco também ganhou grande repercussão, assim como “Stateside”, parceria com PinkPantheress.
Por que Zara não poderia disputar o prêmio?
O período de elegibilidade do Grammy 2027 vai de 31 de agosto de 2025 a 28 de agosto de 2026. Midnight Sun se encaixa nesse intervalo, já que seus principais singles chegaram à Billboard Hot 100 em janeiro deste ano.
O problema está nas regras da categoria. Para disputar Artista Revelação, o artista não pode ter recebido anteriormente uma indicação ao Grammy como intérprete, seja em carreira solo ou como integrante de um grupo indicado.
A exceção fica para participações especiais ou colaborações em coletâneas e álbuns de outros artistas.
No caso de Zara, “Midnight Sun” já havia sido indicada ao Grammy 2026 na categoria de Melhor Gravação Dance Pop. A música concorreu com trabalhos de Selena Gomez, PinkPantheress, Tate McRae e Lady Gaga, vencedora pelo hit “Abracadabra”.
A discussão sobre a categoria Artista Revelação ganhou força neste ano após a Academia de Gravação alterar seus critérios de elegibilidade. Desde junho, um artista pode ser inscrito na disputa até quatro vezes, uma participação a mais que o limite anterior.
A mudança acompanha uma crítica recorrente: o termo “Revelação” nem sempre representa artistas que chegam ao reconhecimento mundial depois de anos de carreira.
Larsson prefere a expressão breakthrough para descrever esse momento de ascensão.
“É por isso que gosto da palavra ‘breakthrough’. Parece que o mundo inteiro está olhando para mim ao mesmo tempo”, disse Larsson. “Antes, essa música fez sucesso aqui, e outra música um ano depois fez sucesso lá. Agora parece que tudo está se encaixando muito bem.”
Em julho, Zara encerrou seu vínculo de longa data com a Epic Records e assinou com a RCA Records. A mudança acontece justamente durante uma fase de forte repercussão de Midnight Sun.
Para a cantora, porém, o reconhecimento mais importante não está necessariamente em troféus.
“Quanto mais velha fico, mais claro fica para mim que minha paixão e o que realmente me importa é que as pessoas venham aos meus shows. Para mim, o sucesso máximo seria uma turnê mundial em estádios. As pessoas dedicaram um tempo de suas vidas reais para isso”, disse à Perfect.
A artista também destacou o impacto cultural criado em torno do álbum:
“O que tem sido tão incrível sobre Midnight Sun é que sinto que foi além de apenas um bom álbum ou uma boa música. As pessoas estão sendo convidadas a entrar no meu mundo ao vestirem suas roupas, suas flores, o brilho e as cores. A cultura em torno disso é como eu me sinto realizada.”
E os fãs brasileiros já têm data para conferir essa nova fase de perto. Zara Larsson se apresenta no Palco Sunset do Rock in Rio 2026, em 13 de setembro, durante a passagem da turnê mundial pelo Brasil.
