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“Arroxeio”: alagoana Larissa Lisboa transforma temores e autocuidado em poesia

Obra apresenta registros de momentos que viveu, com poemas que criou para falar sobre sua relação com a escrita, o cotidiano e o diálogo com os erros

Por Jamerson Soares 11/08/2026 19h07 - Atualizado em 11/08/2026 20h08
“Arroxeio”: alagoana Larissa Lisboa transforma temores e autocuidado em poesia
"Arroxeio" é o primeiro livro de poemas da alagoana Larissa Lisboa - Foto: Arquivo pessoal

Na próxima quinta-feira (13), às 19h30, a jornalista e pesquisadora alagoana Larissa Lisboa, de 41 anos, lançará seu primeiro livro de poemas, “Arroxeio”, na Villa Farol, em Maceió. A solenidade contará com venda da obra e um momento de autógrafos, além de um bate-papo sobre a criação de livros alagoanos, com Magno Almeida, Guilherme Ramos, a própria Larissa e Amanda Nascimento, que mediará a conversa.

Sob o selo da editora M.inimalismos, “Arroxeio” passeia pelos temores, pelo processo de autocuidado mental, pelas sensibilidades visuais e pelas vivências poéticas da trajetória pessoal e cotidiana de Larissa, que, desde os 13 anos, se arrisca pelos caminhos da poesia e da escrita.

Em entrevista ao Jornal de Alagoas, a escritora contou que escreve desde a adolescência, período em que compartilhava seus primeiros poemas com sua professora de português, Zeni Moreira. “Desejei ser escritora, mas entrei na fase adulta descrente de que poderia escrever um livro. Jamais esqueci o incentivo que recebi de Zeni”, relatou.

Durante esse processo de descoberta, Larissa recebeu muito apoio de outras pessoas e guardou todo o incentivo e a inspiração. Em 2015, a autora conheceu o trabalho de Magno Almeida e o primeiro livro do escritor, “Pelos poros e pequenos apelos”. Para ela, foi um encontro que reacendeu o desejo de criar um livro de poemas, mesmo que ainda estivesse desacreditada de que conseguiria escrever.

“A escrita foi o primeiro lugar em que me vi como artista. Acreditei que cursar Comunicação Social iria me ajudar a ser escritora, mas não foi isso que aconteceu. Comecei o curso escrevendo poemas e fui para o mercado de trabalho descrente de que tinha uma boa escrita para trabalhar com jornalismo ou mesmo escrever livros.”

No livro, a jornalista desabrocha antigas dores e cicatrizes transformadas em palavras e expele tudo o que carregou consigo por meio da escuta, da imagem, do sobressalto, do susto e da descrença em si mesma, que a fez criar pontes sobre abismos.

“Espero que as pessoas encontrem acolhimento e inspiração em Arroxeio, pois o criei tentando retribuir um pouco dos acolhimentos e inspirações que recebi em minha vida”, celebrou Larissa Lisboa.

Diálogo consigo mesma

O processo de criação do livro foi uma espécie de resultado da busca de Larissa por respostas para si mesma, ao mesmo tempo em que iniciou um processo de cuidados com a saúde mental, em 2021.

No mesmo ano, Larissa fez uma mentoria para novos artistas e desenvolvedores criativos, e foi a partir dessa vivência que começou a pesquisar. “Comecei a ler os livros de Brené Brown e a aprender a acolher minhas culpas, medos e vergonhas.” Ela também aprendeu a combater narrativas negativas por meio da leitura e da escrita, bem como a ter encontros com sua arte pela escrita e por outras formas de criação, como a colagem.

Em 2023, a escritora ingressou em um curso de poesia promovido pelo Sesc Alagoas, ministrado pelo poeta Bruno Ribeiro. O convite foi feito por Magno. “Recebi a mensagem dele como um chamado e participei do laboratório.”

Segundo Larissa, foi depois do laboratório que conseguiu continuar escrevendo poemas, tendo também a criação de colagens como uma atividade paralela. Os trabalhos realizados a partir dessas duas ações foram enviados para editais fora de Alagoas, porém uma nova frustração veio quando Larissa percebeu que eles não eram selecionados. “Fiquei desanimada, mas não desisti”, afirmou.

A ideia

“Arroxeio” surgiu da ideia de escrever em um caderno de poemas, em 2024, com uma caneta de cor roxa e também como uma forma de ressignificar os textos que ela achava que eram imaturos ou verdes.

“A partir da necessidade de nomear a proposta de um primeiro livro meu de poemas, busquei inspiração neste exercício de escrever com a caneta roxa, conjuguei então o verbo arroxear e cheguei em arroxeio”, contou a autora.

Para ela, “Arroxeio” apresenta registros de momentos que viveu, literal ou metaforicamente, com poemas que criou para falar sobre sua relação com a escrita, o cotidiano e o diálogo com os próprios erros. Há poemas, por exemplo, que foram inspirados no andar de ônibus ou na fila durante a espera por atendimento em uma instituição pública.

“Arroxeio se tornou possível porque eu consegui me libertar da descrença que eu mantinha na minha escrita e porque escolhi que não iria deixar as opiniões externas me convencerem de que eu devia desistir de tentar publicar um livro com os meus poemas visuais e textuais.”

A segunda pele

O livro teve um formato inicial com alguns poemas e três imagens criadas por Larissa. Todo o material foi enviado como proposta, com nome, para uma convocatória da editora M.inimalismos.

Na obra, há imagens inspiradas na planta abacaxi-roxo e ilustrações que são frutos da tentativa de criação de poemas visuais. Essa mesma planta é vista diariamente pela escritora da janela de seu quarto. É daí também que vieram a simbologia do livro e a admiração pelo vegetal, resultando na capa da obra.

O livro contou com um texto de orelha escrito por Magno Almeida, texto de apresentação de Guilherme de Miranda Ramos e revisão de Amanda Nascimento. Larissa também contou com o apoio de Daniel Ribeiro para a finalização da imagem da capa do livro e com a assessoria de Amanda Duarte.

Os editores Matheus Bibiano e William Kokubun e a diagramadora Maria E. Macedo fizeram parte do processo de publicação.

O livro está à venda pelo site da editora M.inimalismos, por meio do link: https://www.editoraminimalismo... .