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Peça 'Aparecida' leva poética de Stella do Patrocínio ao palco em Maceió

Espetáculo será apresentado nos dias 16 e 17 de julho, no Barzarte, Jaraguá, e faz uma reflexão sobre a arte, a resistência e a loucura

Por Jamerson Soares 14/07/2026 18h06 - Atualizado em 14/07/2026 19h07
Peça 'Aparecida' leva poética de Stella do Patrocínio ao palco em Maceió
Peça "Aparecida" faz uma reflexão sobre a arte, resistência e loucura - Foto: Divulgação

A poeta carioca Stella do Patrocínio é o tema principal do espetáculo "Aparecida", da companhia artística OZINFORMAIS, que será apresentado nos dias 16 e 17 de julho, às 20h, no espaço cultural Barzarte, localizado no bairro do Jaraguá, em Maceió.

Com direção de Carlos Alberto Barros, a peça solo tem como inspiração a vida e a poética de Stella do Patrocínio, mulher negra e trabalhadora doméstica que foi internada à força por décadas em instituições psiquiátricas no Rio de Janeiro. Sua linguagem foi considerada poesia por apresentar uma carga dramática e imagética capaz de criar outros mundos e sensações, geralmente construídos a partir de palavras repetidas, mas carregadas de profundo significado sociocultural.

"Aparecida" não é uma peça biográfica, mas uma força de pensamento em estado vivo, que atravessa temas como institucionalização, violência psiquiátrica, racismo estrutural, invisibilidade social e a potência da palavra. O palco se transforma em um espaço de confinamento simbólico, onde luz, projeção e corpo criam uma paisagem mental. Há fragmentos de memória, vozes e poesia, tendo a personagem principal como uma ponte entre a razão e a loucura: uma mulher que transforma pensamento em matéria viva.

"As expectativas hoje se misturam com o medo e o nervosismo presentes em tempos de estreia. Espero que o público sinta, apenas sinta algo, que seja individual. Queremos despertar algo nas pessoas através da personagem interpretada por Karol Justino. Queremos que sintam através das coreografias de Jal Oliveira, através da luz, do palco. Queremos que sintam algo. Algo com cor", destacou Carlos Alberto.

O espetáculo é composto por Karol Justino, atriz que dá vida à personagem principal; Jal Oliveira, responsável pela preparação e supervisão corporal do elenco; e Carlos Alberto, que, além da direção, assina o figurino, a trilha sonora e a cenografia. O espaço cultural Barzarte, sob a coordenação de Carlos Topete, também apoia o evento.

Para prestigiar o espetáculo, é necessário adquirir o ingresso por meio do Sympla. Os ingressos estão disponíveis para o dia 16 e para o dia 17, em links diferentes.

Voz contra o sistema

Segundo o diretor da peça, a ideia surgiu durante uma turnê do coletivo com o espetáculo Umbigo, em 2025, pelo Palco Giratório do Sesc. O grupo permaneceu por 15 dias na sala do foyer de um teatro e, nesse período, havia uma exposição sobre a relação entre artistas e loucura, que culminou em uma aula-workshop sobre o processo de duas cineastas.

"Nessa aula, Stella do Patrocínio foi citada e despertou nosso interesse. No mesmo dia, após o workshop, ainda no quarto, comecei a pesquisa sobre Stella e me apaixonei. Fiz uma ligação entre a representação de Stella e o tipo de espetáculo do OZINFORMAIS, pois ambos são uma voz contra o sistema", contou Alberto.

A motivação para realizar a peça surgiu da vontade de ir contra o sistema e da identificação com a liberdade artística que o grupo acredita desenvolver em Maceió.

O processo criativo, conforme relatou Carlos Alberto, foi formado em três frentes: diretor e encenador; preparador e supervisor corporal; e atriz. Também foram escolhidos sete textos de Stella para a construção do espetáculo.

"Durante os ensaios desses textos, quatro permaneceram, conforme nossa percepção de ritmo. Jal Oliveira preparou as coreografias e o corpo de Karol. Eu trouxe a estética e as cenas marcadas, enquanto Karol captou as ideias e as externou. Foi um processo teatral normal", explicou.

Sobre o título da peça, o diretor contou que "Aparecida" remete a uma das falas de Stella em suas poesias: "Eu sou Aparecida".

O diálogo com Maceió

Ainda de acordo com o diretor, a poesia de Stella do Patrocínio dialoga com o que Maceió e o Brasil vivem em relação à saúde mental, à política dos tempos modernos e às artes em geral.

"Acreditamos que esse diálogo se dá através do estado individual das pessoas, que estão presas a um sistema silencioso e mortal", afirmou.

Outro ponto abordado pelo espetáculo é a crítica à falta de continuidade do fazer teatral na capital alagoana e no estado, principalmente em relação ao que Carlos Alberto considera abandono por parte do poder público.

"Não temos festivais, e os projetos que existiram por décadas foram interrompidos pela gestão da Diteal há três anos (2024, 2025 e 2026). 'Aparecida' é uma voz contra o sistema por ser resistência", concluiu.

SERVIÇO

Dias 16 e 17 de julho

Local: BARZARTE (Avenida Comendador Leão, 69. Jaraguá) 

Horário:20 horas 

Ingressos: via Sympla 

Informações: 82 9 9119 4195 

Classificação indicativa: Livre 

Duração: 40 minutos