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Padre Fábio de Melo fala sobre sexualidade e celibato em entrevista
Sacerdote comenta limites da vida religiosa, espiritualidade e amplia conceito de sexualidade ao analisar afetos e comportamento humano.
Em uma conversa franca que voltou a movimentar as redes sociais, Padre Fábio de Melo revisitou temas sensíveis da vida sacerdotal e propôs uma leitura mais ampla sobre desejo e comportamento humano, durante participação em um videocast.
No diálogo com a jornalista Maria Fortuna no programa Conversa Vai, Conversa Vem, o religioso abordou os desafios da vida no sacerdócio e comparou o compromisso religioso a uma relação conjugal, destacando a exigência de fidelidade à escolha feita. “Com todas as dificuldades de uma pessoa que precisa ser fiel aquilo que escolheu. Quando um homem se casa, ele precisa ser fiel a uma esposa, quando você se casa, você precisa ser fiel ao seu esposo, se é o seu propósito cristão”, afirmou.
Ao longo da entrevista, o padre também refletiu sobre as formas que encontrou para lidar com desejos e emoções ao longo da trajetória, citando os estudos e a arte como ferramentas de equilíbrio pessoal. “A vida de um padre tem muitos limites, mas ela tem muitas possibilidades. Um dia eu entendi que a vida acadêmica, que é a minha opção primeira, eu vivo estudando, eu gosto de estudar, eu gosto de ler. A minha opção pela arte me ajuda muito a sublimar tudo”, explicou.
Ele ainda destacou a importância da espiritualidade como eixo de estabilidade emocional, diferenciando-a de práticas estritamente religiosas. “As minhas necessidades humanas passam muito pelo alimento espiritual. Não é religião, isso é humano. A religião é por excelência um lugar da espiritualidade. Mas quando você tem a vida espiritual em dia, tudo é prazeroso”, disse.
O momento que mais repercutiu, no entanto, foi quando o sacerdote foi questionado diretamente sobre a existência de vida sexual entre padres. Em resposta, ampliou o conceito para além da dimensão física. “Claro, porque sexualidade é tudo que me envolve. Você pode não ter a vida genital, mas a sexualidade é que envolve todos os nossos afetos”, afirmou.
Na sequência, ele reforçou que sentimentos, vínculos e até a forma de comunicação fazem parte dessa construção mais ampla de sexualidade e expressão humana. “Um homem que ama, uma mulher que ama, mesmo que eles não vão para a cama, aquilo é vida sexual porque está tudo envolvido. Você acha que a força da comunicação vem de onde?”, concluiu.


