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Boca de Forno prepara show histórico para celebrar mais de 40 anos de samba em Alagoas

Projeto reúne gerações de músicos que passaram pelo grupo em apresentação comemorativa marcada para março, em Maceió

Por Redação* 29/01/2026 12h12
Boca de Forno prepara show histórico para celebrar mais de 40 anos de samba em Alagoas
Projeto comemora mais de quatro décadas de trajetória do grupo e promete reencontro de gerações no palco - Foto: Assessoria

Mais de quatro décadas após nascer de encontros informais entre amigos, o grupo Boca de Forno promove um reencontro que promete marcar a história do samba em Alagoas. Anunciado oficialmente nas redes sociais na última segunda-feira (26), o projeto “Quando tudo começou – 1980 Boca” reunirá, em um mesmo palco, dezenas de músicos que integraram a banda ao longo dos anos, além de convidados especiais. A apresentação comemorativa ocorrerá no dia 28 de março, na Fábrica de Eventos, localizada no bairro de Jaraguá.

O surgimento do Boca de Forno remonta ao início dos anos 1980, período em que a música se consolidava como espaço de encontro e improviso entre amigos. Primeiro vocalista e um dos fundadores, Neco recorda que o grupo surgiu sem qualquer planejamento profissional, apenas como diversão entre colegas.

“O Boca de Forno nasceu de uma brincadeira entre amigos. A gente tocava na casa de um, de outro, em barzinho, sem cachê, pela resenha, pela cerveja. Em um momento a gente pensou: vamos profissionalizar isso e transformar em trabalho. A maioria saiu (risos), e a gente teve que reformular tudo”, relembra.

Com o passar do tempo, a banda começou a se apresentar em quadras de escolas de samba, clubes e casas noturnas da capital, conquistando espaço e ampliando o público até chegar a palcos que se tornaram referências para o grupo e seus fãs.

“O público foi crescendo cada vez mais. Quando chegamos ao Marquês, bar da época, além de casa cheia, nos consagramos enquanto banda. O resto da história vocês conhecem”, conta Neco.

Uma escola de músicos


Ao longo de mais de 40 anos, o Boca de Forno passou a ser reconhecido como um espaço de formação musical, por onde passaram dezenas de artistas que ganharam reconhecimento dentro do cenário do samba. Para o surdista Negro Mir, integrante em 1999, o grupo se tornou mais que uma formação fixa, consolidando-se como referência no meio musical.

“O Boca de Forno não sou eu, não é nenhum integrante isolado. O Boca de Forno é um selo de qualidade. Todo mundo que passou por aqui tem esse selo. Sempre foi uma escola”, afirma.

Ele lembra que a disciplina e o rigor musical, especialmente sob orientação do cavaquinista Marcão, também fundador do grupo, contribuíram para a formação de diversos músicos.

“A cobrança era diferente. Quem chegava aqui vinha para aprender, para se aperfeiçoar. A gente tocava tudo muito certinho, com cuidado. Isso formou muita gente.”

Antes da popularização das plataformas digitais e do acesso facilitado à música pela internet, o grupo teve papel importante na difusão do samba em Maceió, apresentando ao público músicas e artistas ainda pouco conhecidos na cidade.

“O público daqui não tinha acesso fácil aos grandes sambas como hoje. A gente trazia músicas dos discos de Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Sem Compromisso. Quando esses artistas vinham tocar em Maceió, ficavam impressionados porque a plateia cantava tudo, até o lado B do disco”, lembra Negro Mir.

Esse movimento ajudou a formar uma plateia participativa, transformando apresentações em grandes coros e fortalecendo o vínculo do grupo com a cidade.


“Boca de Forno pra você…”


Parte dessa conexão foi construída também a partir de improvisos feitos durante os shows. Val Boca, segundo vocalista da banda, que ingressou em 1993, ficou conhecido por criar intervenções musicais espontâneas e coreografias que se tornaram marca registrada das apresentações.

“Esses trechinhos surgiram do nada e sempre davam certo. Muitas vezes o público já estava cantando antes mesmo de eu puxar”, conta Val, que integrou o grupo por 19 anos após uma participação improvisada em um show.

Para muitos frequentadores, a história da banda se mistura com momentos pessoais. A policial civil Vanine Souza, de 39 anos, lembra da juventude marcada pelos encontros dominicais nos shows do grupo.

“Era quase certeza que todo domingo a gente ia para o Marquês D´ Latravéia, casa de shows no bairro de Jatiúca. Encontrava a galera de todos os colégios, aquela paquera, aquela expectativa. Até hoje, quando escuto as músicas que o Boca tocava, canto no meio: ‘Boca de Forno pra você, aqui no Marquês é legal. Estou pedindo pra ficar, é o Boca em primeiro lugar’”, recorda com empolgação, a fã.

Essa memória coletiva ajuda a explicar a forte ligação da banda com o público que cresceu nos anos 1990 e 2000, período em que o pagode ganhou grande projeção nacional e ocupava espaço nas rádios e na indústria musical.

Memória e celebração no palco


Responsável pela produção do espetáculo ao lado do sócio Fábio Palmeira, Karina Liberal, da FK Produções, afirma que o projeto une memória afetiva e valorização cultural. Admiradora do grupo desde a juventude, ela ressalta que o evento vai além de um simples show comemorativo.

“Para mim, como produtora e fã, produzir um show do Boca de Forno, é revisitar um período muito feliz da minha vida e, ao mesmo tempo, contar a história do samba e do pagode em Alagoas. Será um dia realmente especial para minha geração”, afirma.

O espetáculo “Quando tudo começou – 1980 Boca” marca um momento de celebração tanto para os músicos quanto para o público, reunindo gerações que acompanharam a trajetória da banda e mantêm viva a tradição do samba e do pagode em Alagoas.

Serviço


Show: Quando tudo começou – 1980 Boca
Atração: Boca de Forno
Data: 28 de março
Horário: a partir das 17h
Local: Fábrica de Eventos, bairro de Jaraguá
Ingressos: Viva Alagoas, Folia Brasil e Kiosk
Venda online: lojadeingresso.com.br
Primeiro lote promocional: R$ 65,00

*Com informações da Assessoria