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No Dia do Cinema Nacional, Tela Quente apresenta ‘Pureza’, com Dira Paes e direção de Renato Barbieri

Vencedor de 30 prêmio nacionais e internacionais, o longa é inspirado na história real de Pureza Lopes Loyola. Exibição será em homenagem ao reconhecimento do governo americano por sua luta contra a escravidão moderna no Brasil

Por Assessoria 19/06/2023 10h10
No Dia do Cinema Nacional, Tela Quente apresenta ‘Pureza’, com Dira Paes e direção de Renato Barbieri
O filme ‘Pureza’ é inédito na televisão brasileira e será exibido hoje pela TV Globo, na Tela Quente - Foto: Assessoria

Lançado em 2022, o filme ‘Pureza’ é inédito na televisão brasileira e será exibido hoje pela TV Globo, na Tela Quente, após a novela Terra e Paixão. Protagonizado por Dira Paes, dirigido por Renato Barbieri e produzido por Marcus Ligocki Jr, o longa é inspirado na história real de Pureza Lopes Loyola, uma mãe brasileira que, durante três anos, desafiou todos os perigos para encontrar seu filho e se tornou um símbolo do combate ao trabalho escravo contemporâneo. A exibição é uma homenagem aos 125 anos do Cinema Brasileiro e pelo prêmio ‘Heróis no Combate ao Tráfico de Pessoas’, entregue à Pureza, na última quinta-feira (15/06), em Washington, D.C, pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, por seus esforçosno combate aos trabalhos em condições análogas à escravidão no Brasil.

Aos 80 anos, Pureza Lopes Loyola é a única brasileira a receber os dois prêmios internacionais mais importantes na luta contra o trabalho escravo e tráfico humano no mundo. Em 1997, em Londres, recebeu o prêmio Antiescravidão oferecido pela organização não-governamental britânica Anti-Slavery International, a mais antiga organização abolicionista em atividade, um feito inédito para uma mulher nordestina, preta, pobre e que se alfabetizou somente aos 40 anos, com o objetivo de ler a Bíblia.

Foto: Assessoria


Trinta anos de ativismo

Em 2023, a trajetória de Pureza Loyola completa 30 anos. Seu empenho em coletar provas sobre trabalhadores em situação análoga à escravidão, na Amazônia, deu impulso decisivo à criação, em 1995, do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que uniu auditores-fiscais do trabalho, policiais federais e procuradores do trabalho para viabilizar o cumprimento da lei e a observância de direitos trabalhistas em todo o território nacional.

Entre 1995 e 2021, o Grupo Móvel libertou mais de 62 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão. Em 2018, segundo estimativas da Walk Free Foundation, 369 mil pessoas foram submetidas à escravidão no Brasil. No mesmo ano, segundo a OIT, 40,3 milhões de pessoas foram submetidas à escravidão em todo o mundo. No ano passado, a estimativa da OIT para escravizados no mundo subiu para 50 milhões.

Dona Pureza

“Os olhos do mundo iriam vê-la “, essa foi a frase ou profecia que Pureza Lopes Loyola ouviu de seu pastor uma semana antes de receber a ligação do diretor Renato Barbieri, com a notícia de que gostaria de filmar sua história de luta contra a escravidão moderna, no ano de 2007. Ali ela decifrou a mensagem: “os olhos do mundo é o cinema”. O filme Pureza já foi exibido, até o presente momento, em 20 países.

Dezesseis anos após esse telefonema, Pureza recebeu das mãos do governo americano a mais alta honraria que uma ativista pelos Direitos Humanos pode receber, além de ter sua história de vida aplaudida em todas as esferas de poder no Brasil e outros países.

Pureza Lopes Loyola nasceu em Presidente Juscelino, município a 85 km de São Luís (MA), e se mudou para Bacabal, a 240 km da capital, onde o marido tinha parentes. Com o fim do casamento, a sobrevivência passou a depender da olaria familiar e da venda de tijolos na qual trabalhava com seus cinco filhos.

Em 1993, depois de meses sem notícias do filho caçula, Antônio Abel, que partiu para a Amazônia em busca da sorte no garimpo, Pureza decidiu seguir seu rastro. Com a roupa do corpo e munida de uma bolsa, sua Bíblia e uma foto de Abel, Pureza estava decidida a encontrá-lo vivo ou morto. Sabia apenas que ele tinha ido ao Pará.

Em sua busca determinada por Abel, Pureza visitou grandes fazendas e descobriu um perverso sistema de aliciamento e escravidão de trabalhadores “contratados” para derrubar grandes extensões de mata nativa a fim de converter a área em pastagem para o gado. De fazenda em fazenda, Pureza conheceu de perto o drama dos peões, tornando-se amiga e confidente dos trabalhadores. Conheceu por dentro o sistema pelo qual os empregadores confiscavam documentos de identidade dos empregados e tornavam-nos totalmente dependentes dos encarregados para obter ferramentas de trabalho, víveres e produtos básicos. Ouviu relatos dramáticos de trabalhadores que poderiam ser mortos se tentassem se rebelar ou fugir.

Com a ajuda da Comissão Pastoral da Terra – a CPT, Pureza entrou em contato com o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho no Maranhão, no Pará e em Brasília. Chegou a escrever cartas para três presidentes da República: Fernando Collor, Itamar Franco (o único que lhe respondeu) e Fernando Henrique Cardoso. Até hoje, ela guarda uma cópia de cada uma dessas cartas. Hoje, Abel vive em Bacabal com Pureza e a família. A política de combate ao trabalho escravo no Brasil se tornou referência mundial.

Sobre o filme Pureza

O longa-metragem é um filme ficcional com um processo inédito de engajamento social desde sua viabilização, que conta hoje com a participação de mais de 95 organizações nacionais e internacionais atuantes na causa, tais como Comissão Pastoral da Terra – CPT, Ministério Público do Trabalho – MPT, Sistema Justiça do Trabalho e a Anti Slavery International, dentre muitas outras. ‘Pureza’ causa impacto e identificação ao abordar a realidade da mecânica do trabalho escravo. Do aliciamento de trabalhadores feito à base de falsas promessas de “emprego bom” e “salário bom”, esses passando por situações de grande violência física e emocional, apreensão dos documentos, endividamento enganoso, jornadas exaustivas, condições degradantes e até cárcere privado. Como diz Dona Pureza, “para boa parte desses escravizados, o salário é a morte”.


Foto: Assessoria


Desde o lançamento do filme, em maio de 2022, mais de 100 sessões sociais foram realizadas em diversas capitais e regiões vulneráveis do Brasil profundo, com o objetivo de sensibilizar e ampliar a consciência social sobre a trágica e criminosa realidade do trabalho escravo contemporâneo e promover o engajamento para a promoção do trabalho digno no Brasil.

Como parte desses ciclos de projeção seguida de conversas em favor do combate e erradicação do trabalho escravo contemporâneo, o filme “Pureza”, em potente parceria com a CPT, segue com intensa agenda junto a escolas e associações da sociedade civil organizada, bem como estabelecendo uma conexão direta e rara entre Justiça e Arte cinematográfica, tendo como entusiastas juízas e juízes, desembargadoras e desembargadores, procuradoras e procuradores do trabalho (MPT) por todo o país.