Eleições 2026

Bispos católicos criticam candidatura de Flávio Bolsonaro e alertam para riscos à democracia

Embora não cite nominalmente o senador, o documento reúne críticas a posições ligadas a ele e à família Bolsonaro

Por Sputnik Brasil com Redação 23/10/2026 06h06
Bispos católicos criticam candidatura de Flávio Bolsonaro e alertam para  riscos à democracia
Foto: © AP Photo / Andre Penner

Trinta e cinco bispos católicos de diversas regiões do Brasil divulgaram nesta quinta-feira (22) uma carta aberta criticando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e alertando para riscos à democracia, à soberania nacional e às políticas para os mais pobres.

Embora não cite nominalmente o senador, o documento reúne críticas a posições ligadas a ele e à família Bolsonaro. Os signatários convocam os católicos a participarem do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), e a considerarem a defesa da democracia, valores humanitários e ensinamentos da Igreja na escolha do próximo presidente.

"Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século 20 deixaram cruéis e amargas lembranças", afirma um trecho do manifesto.

A carta destaca divergências entre as posições atribuídas a Flávio Bolsonaro e os princípios defendidos pelos religiosos. Entre as críticas estão a oposição ao fim da escala de trabalho 6 x 1, a promessa de aproximação com os Estados Unidos, a defesa da ampliação do acesso às armas e a rejeição ao reconhecimento da crise climática e de problemas ambientais.

Os bispos também fazem referência à atuação política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo homenagens ao coronel Brilhante Ustra, um dos principais nomes associados à tortura durante a ditadura militar brasileira.

"Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia", diz o documento.

Sem mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a carta reconhece que a candidatura adversária está sujeita a críticas, mas afirma que ela demonstrou responsabilidade com a população pobre e com a preservação ambiental, além de ter atuado dentro dos limites da ordem democrática e respeitado a Constituição.

"Gostar ou não do atual governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa igreja", acrescenta o manifesto.

CNBB também se manifesta

Em mensagem divulgada na última quarta-feira (21), o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também se pronunciou sobre o segundo turno das eleições de 2026. O texto, direcionado ao povo brasileiro, defende a participação consciente dos eleitores, o respeito aos resultados legítimos das urnas e a preservação das instituições democráticas.

A entidade ressalta a necessidade de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade. A mensagem também enfatiza a proteção ambiental, os direitos humanos e a promoção da paz, além de cobrar dos eleitos compromisso com essas questões.

"O voto é livre e secreto. Ameaçar ou pressionar eleitores, bem como negociar votos, são práticas inadmissíveis", diz a nota, que ainda destaca a importância da liberdade de expressão, do acesso à informação confiável e da proteção a quem denuncia injustiças.

A CNBB recomenda que os eleitores avaliem a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e as condições de vida da população. O documento é assinado pelo Conselho Permanente da entidade e foi datado de 21 de outubro de 2026, em Brasília.

Por Sputinik Brasil