Eleições 2026
Meta admite falha em métricas do Instagram após campanha de Lula questionar alcance de vídeos
PT aponta possível desvantagem em relação a Flávio Bolsonaro, mas empresa não confirmou impacto da instabilidade na distribuição dos conteúdos
A Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, reconheceu uma falha técnica em métricas de vídeos da plataforma após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionar possíveis diferenças no alcance das publicações em relação às do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Em resposta sobre o problema, a empresa afirmou: “Identificamos um problema técnico afetando algumas métricas de vídeos. Estamos trabalhando para resolver essa questão o mais rápido possível”.
A Meta, porém, não confirmou que a instabilidade tenha interferido na distribuição dos conteúdos pelo algoritmo ou favorecido qualquer candidatura. A empresa também não informou quais publicações foram atingidas nem a dimensão da falha.
PT aponta diferença no engajamento
O questionamento foi levantado pela Secretaria Nacional de Comunicação do PT a partir de um relatório interno que comparou o desempenho dos perfis dos dois candidatos. Segundo o documento, a página de Flávio Bolsonaro registrava, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores.
Com base nos dados, a equipe petista levantou a hipótese de que o funcionamento das ferramentas da Meta poderia colocar a campanha do presidente em desvantagem no ambiente digital. Os números, contudo, não comprovam, por si só, que a diferença tenha sido provocada pelo algoritmo ou pela falha técnica reconhecida pela empresa.
Campanha questiona contagem de visualizações
A equipe de Lula também identificou inconsistências na contagem de visualizações de vídeos. Em pelo menos uma publicação do presidente no Instagram, o número de curtidas superou o de visualizações exibido pela plataforma.
O funcionamento das métricas do Instagram também entrou no debate porque a rede não exige um tempo mínimo de permanência no vídeo para contabilizar uma visualização. A campanha cobra esclarecimentos sobre a confiabilidade dos números apresentados durante o período eleitoral.
PT cobra transparência da Meta
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a situação levanta dúvidas sobre a igualdade de condições entre as candidaturas e cobrou transparência da empresa sobre o funcionamento de seus sistemas durante a eleição.
A campanha petista sustenta que a diferença de desempenho entre os perfis, somada à falta de informações detalhadas sobre a falha, pode prejudicar a distribuição de seus conteúdos. Até o momento, entretanto, não há confirmação de ação deliberada para reduzir o alcance das publicações de Lula ou ampliar o de Flávio Bolsonaro.
A Meta informou que trabalha para solucionar o problema, mas não detalhou quando a correção será concluída nem se as métricas já afetadas serão revisadas.
