Eleições 2026
Flávio quer mudar a Constituição após avanço da direita no Congresso
Candidato do PL afirma que pretende usar força da direita no Congresso para alterar Carta Magna e “redemocratizar” o país
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (6) que pretende usar o avanço da direita no Congresso Nacional para mudar a Constituição Federal caso seja eleito. Sem apresentar quais dispositivos pretende alterar, o senador disse que a medida serviria para “redemocratizar este país”.
A declaração foi feita em Goiânia, durante evento em que o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) anunciou apoio à candidatura de Flávio no segundo turno.
“Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, afirmou.
Flávio, porém, não explicou quais mudanças pretende fazer na Carta Magna. A declaração ocorre após a eleição de uma bancada expressiva do PL, que terá 121 deputados federais e 28 senadores na próxima legislatura.
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, com pelo menos três quintos dos votos em cada Casa. Isso representa 308 deputados e 49 senadores.
A fala sobre alterar a Constituição ganha peso diante de outras propostas apresentadas por Flávio durante a campanha. O plano de governo do candidato prevê, entre outras medidas, limitar decisões individuais do Supremo Tribunal Federal (STF), restringir quem pode propor determinadas ações à Corte e estabelecer regras para impedir que parentes de magistrados atuem nos respectivos tribunais.
O documento também propõe o fim da reeleição para cargos do Executivo, medida que exigiria alteração constitucional. Na área trabalhista, Flávio defende que trabalhadores negociem a própria carga horária com empregadores, e apresenta a possibilidade de contratos com regras diferentes das atuais para determinados grupos de trabalhadores.
A promessa de “redemocratizar” o Brasil também ocorre em um momento particularmente delicado para o grupo político de Flávio.
Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado para impedir a manutenção do resultado das eleições de 2022. Ele foi preso em novembro de 2025 e, desde março de 2026, cumpre a pena em prisão domiciliar.
A condenação ocorreu após o STF concluir que Bolsonaro e outros integrantes do chamado núcleo principal da trama golpista participaram de uma tentativa de ruptura da ordem democrática. O processo também envolveu atos relacionados à tentativa de impedir a posse do presidente eleito e à manutenção de Bolsonaro no poder.
Nesse contexto, a utilização do termo “redemocratizar” por Flávio provocou questionamentos sobre quais instituições e regras ele pretende alterar. O candidato, entretanto, não apresentou na declaração desta terça-feira uma explicação concreta para o termo.
Flávio também já declarou que pretende conceder indulto ao pai caso seja eleito presidente.
