Eleições 2026

Brasil reforça medidas para proteger eleições diante de possível pressão dos EUA

A estratégia brasileira envolve o monitoramento de lobbies estrangeiros, o combate a campanhas de desinformação e ações para responder a questionamentos sobre as urnas eletrônicas

Por Sputnik Brasil com Redação 01/10/2026 06h06
Brasil reforça medidas para proteger eleições diante de possível pressão dos EUA
Foto: © Foto / Tânia Rêgo / Agência Brasil

O Brasil intensificou as medidas de proteção ao processo eleitoral presidencial diante de possíveis interferências dos Estados Unidos, especialmente diante da postura do presidente Donald Trump frente à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, conforme reportou o jornal New York Times.

Segundo a publicação, a estratégia brasileira envolve o monitoramento de lobbies estrangeiros, o combate a campanhas de desinformação e ações para responder a questionamentos sobre as urnas eletrônicas. Além disso, há articulação diplomática com países europeus e asiáticos para fortalecer a defesa do processo eleitoral.

A preocupação aumentou após episódios de atuação de Trump em outras eleições latino-americanas e em razão da relação próxima entre o presidente norte-americano e a família Bolsonaro. Embora Trump não tenha declarado apoio público a Flávio Bolsonaro (PL), autoridades brasileiras ouvidas pelo jornal avaliam que Washington poderia adotar medidas para prejudicar a imagem de Lula.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também implementou novas regras para combater a desinformação e solicitou a empresas como Google e Meta planos para enfrentar conteúdos produzidos com inteligência artificial. No entanto, há denúncias de que a própria rede social teria derrubado anúncios do perfil de Lula, além de um vídeo do humorista Fábio Porchat que relacionava Flávio Bolsonaro e a Igreja Batista da Lagoinha ao escândalo do Banco Master.

De acordo com o New York Times, o governo brasileiro mantém diálogo com representantes da União Europeia, Canadá, Japão e Austrália sobre uma possível resposta conjunta após as eleições. Diplomatas desses países defendem a integridade do processo eleitoral, independentemente do resultado, mas reconhecem o risco de uma reação dos Estados Unidos.

A reportagem também destaca que o governo dos EUA tentou enviar uma delegação ao Brasil para investigar a integridade do sistema eleitoral, mas a iniciativa foi barrada pelas autoridades brasileiras.

O presidente Lula já criticou publicamente qualquer tentativa de influência externa, inclusive durante discurso na Assembleia Geral da ONU, ao afirmar que "o Brasil não é quintal de ninguém".

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes reforçou ao jornal que o país possui instrumentos para reagir a eventuais pressões externas. "Onde quer que venha a ameaça, temos as ferramentas para nos defender", afirmou.

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