Eleições 2026
Última semana pode definir eleição acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final da campanha com índices de intenção de voto semelhantes aos de abril, mas a eleição segue indefinida devido ao peso dos eleitores indecisos e à possibilidade de mudanças de voto nos últimos dias. Medidas recentes do governo e o debate da TV Globo podem ser decisivos.
Apesar da estabilidade nos percentuais de intenção de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a disputa permanece aberta. Segundo análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes, divulgada por um grande jornal nacional, houve migração de eleitores entre candidatos, indecisos e votos nulos ao longo dos meses, o que indica que os números agregados escondem mudanças no comportamento do eleitorado.
Nunes destaca que esse movimento ocorre principalmente entre eleitores que não se alinham aos principais polos da disputa. Esse grupo, estimado em 10% do eleitorado, pode ser decisivo para o resultado final.
De acordo com o diretor da Quaest, a estabilidade nas pesquisas reflete um equilíbrio temporário entre fluxos opostos de eleitores, e não uma cristalização definitiva dos votos. Assim, a possibilidade de a eleição não ser definida no primeiro turno é significativa.
Na pesquisa espontânea, um terço dos eleitores ainda não decidiu o voto para presidente. Na pesquisa estimulada, o percentual é menor, mas varia consideravelmente entre as regiões. A indecisão é menor no Nordeste, onde Lula lidera, e mais alta no Sudeste e no Sul, especialmente no Sudeste, considerado o principal campo de disputa e onde a família Bolsonaro costuma ter bom desempenho.
Nunes ressalta que mesmo pequenas variações podem ser decisivas em uma eleição equilibrada. Os chamados "decididos indecisos"—eleitores que admitem poder mudar o voto—somam mais de 10 milhões. Outros 14 milhões afirmam que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) pode influenciar sua decisão, números capazes de alterar o desfecho de uma disputa tão apertada.
Na avaliação do diretor da Quaest, três fatores podem influenciar esse eleitorado na reta final: o pacote do governo voltado para mulheres, com medidas sobre Bets, acesso a canetas emagrecedoras e aumento do Bolsa Família; o avanço do voto útil; e o debate da TV Globo. A estratégia do governo busca atingir um segmento relevante de eleitores ainda indefinidos, e seus efeitos devem aparecer nas próximas pesquisas.
Parte dos eleitores de candidatos menores pode migrar para Lula ou Flávio Bolsonaro para evitar a vitória do adversário mais rejeitado, movimento já detectado nas pesquisas. O debate em horário nobre é visto como uma oportunidade para mobilizar eleitores menos engajados e promover o primeiro confronto direto entre os dois principais candidatos.
Ao que tudo indica, o grupo de indecisos será determinante para o desfecho da eleição, em um cenário marcado por forte rejeição e intensa movimentação nas redes sociais, onde a disputa segue acirrada.
