Eleições 2026
Céu de brigadeiro: todos batem em Renan, mas quem bate em Lira?
Pela margem de erro, Lira, Renan e Marina estavam tecnicamente empatados, enquanto Davi ainda aparecia competitivo
A disputa pelo Senado em Alagoas segue embolada, mas Arthur Lira parece jogar, até agora, em condições mais confortáveis do que os adversários. As últimas pesquisas mostram uma eleição aberta. Na Quaest divulgada em agosto, Lira apareceu com 20%, Renan Calheiros com 18%, Marina Candia com 15% e Davi Davino Filho com 10%.
Pela margem de erro, Lira, Renan e Marina estavam tecnicamente empatados, enquanto Davi ainda aparecia competitivo. A leitura de um influente interlocutor é direta: Lira faz campanha em céu de brigadeiro. "Ninguém bate nele". O diagnóstico tem lógica.
Renan Calheiros, que historicamente nunca poupou críticas a Arthur Lira, passou a ser alvo preferencial da campanha adversária. Apanha de Marina Candia, do grupo de JHC e agora também da própria campanha de Lira, que investe no anti-calheirismo e tenta explorar a rejeição ao senador em Maceió. O Repórter Nordeste registrou que o guia de Lira passou a usar o episódio do Hospital da Cidade para atacar Renan.
Enquanto isso, Lira avança com menos desgaste. O deputado tem apoio de prefeitos, vereadores, lideranças municipais e agora passou a fazer campanha de rua ao lado de JHC, ampliando sua tentativa de entrar com mais força em Maceió. A coluna de Carlos Madeiro, no UOL, mostrou que Renan e Lira dividem aliados em Alagoas, inclusive em movimentos de voto casado para o Senado no interior.
O problema, segundo esse interlocutor, é que poucos têm explorado as vulnerabilidades de Lira. Nem mesmo a ligação dele com Bolsonaro e com a família Bolsonaro, ponto que poderia ter impacto em parte do eleitorado lulista de Alagoas, virou tema central da campanha dos adversários.
“Continuar assim, Arthur Lira será eleito sem muita dificuldade, enquanto Renan vai disputar a outra vaga com Marina. Ele tem apoio dos prefeitos de um lado e, do outro, tenta ganhar Maceió com JHC. Está em céu de brigadeiro. Pequenos ataques não vão fazer efeito”, avalia o interlocutor.
A disputa, claro, ainda não está definida. Marina Candia pode crescer com o apoio de JHC, principalmente na capital. Davi Davino Filho tenta se manter como candidato independente e competitivo, buscando voto solto e discurso de renovação. Mas os dois precisam provar que conseguem transformar presença em Maceió em volume eleitoral suficiente para enfrentar a estrutura de Renan e Lira no interior.
Hoje, a tendência é de afunilamento. Renan Calheiros e Arthur Lira entram com estrutura, prefeitos, tempo de televisão e palanques organizados. Marina e Davi entram com apelo de renovação, voto de opinião e forte dependência da capital.
A pergunta que começa a circular nos bastidores é se todos batem em Renan e quase ninguém bate em Lira, quem está, de fato, sendo ajudado pela campanha? Por enquanto, Arthur Lira agradece.
