Eleições 2026

Guerra das pesquisas: números confundem disputa pelo governo de AL

É diferença demais para uma mesma eleição

Por Blog Edivaldo Junior 02/09/2026 12h12
Guerra das pesquisas: números confundem disputa pelo governo de AL
. - Foto: Reprodução

Na dose certa pode ser informação de qualidade. Em excesso e de qualidade duvidosa, vira arma no confronto eleitoral. E ao que parece, a campanha para o governo de Alagoas entrou agora numa vereaddeira "guerra" de pesquisas.

Os números começaram a se multiplicar e, em alguns casos, apontam cenários completamente diferentes. No mesmo dia, um levantamento mostrou Renan Filho em condição de vencer no primeiro turno. Outro colocou JHC 12 pontos à frente.

A Falpe mostrou Renan Filho com 41,25% e JHC com 37,5% no cenário estimulado. Considerando apenas os votos válidos, o resultado seria 51,9% para Renan Filho e 47,2% para JHC. A pesquisa foi contratada pelo MDB de Alagoas.

Já o Índice Inteligência apresentou outro cenário. JHC apareceu com 47,6% e Renan Filho com 35,6%. Uma diferença de 12 pontos. Não é uma diferença pequena.

E não são apenas esses dois levantamentos. Nos últimos dias, TDL e Ranking também divulgaram números com vantagem maior para JHC. Ao mesmo tempo, a Quaest mostrou Renan Filho com 42% e JHC com 40%, enquanto o Paraná Pesquisas apontou JHC com 47,2% e Renan Filho com 41,3%.

Ou seja: dependendo da pesquisa escolhida, o eleitor encontra Renan Filho na frente, JHC na frente por poucos pontos ou JHC com vantagem superior a dez pontos.

É diferença demais para uma mesma eleição. Muita distorção para um mesmo retrato.

O registro no TSE é obrigatório e importante, mas não significa que a Justiça Eleitoral esteja certificando a qualidade de um instituto. O registro informa quem contratou, quem pagou, metodologia, período de campo, tamanho da amostra, margem de erro e responsável técnico.

Esses dados precisam ser observados. Também é importante saber quem está fazendo a pesquisa. E quem está pagando a conta.

Institutos nacionais como Quaest e Paraná têm atuação em vários estados, séries históricas e resultados que podem ser confrontados com eleições anteriores. Isso não significa que sejam infalíveis. Significa que têm um histórico maior para ser avaliado.

Em Alagoas também existem institutos que trabalham há vários anos e podem ter seus resultados comparados com eleições anteriores.

O problema é que, neste ano, começaram a aparecer nomes com pouca tradição em levantamentos no Estado. Isso não permite afirmar que estejam errados, mas recomenda cautela.

A primeira pergunta não deve ser apenas quem está na frente. É preciso saber quem fez, quem contratou, quantas pessoas foram entrevistadas, em quais municípios, como a amostra foi distribuída e qual é o histórico daquele instituto.

O contratante também precisa ser informado com clareza. Pesquisa paga por partido, candidato, empresa ou veículo de comunicação não deve ser automaticamente descartada, mas o eleitor tem o direito de saber quem financiou o levantamento.

Há ainda outro erro comum: misturar pesquisas de institutos diferentes para falar em crescimento, queda ou virada. Não funciona assim.

Se a Quaest mostra um candidato com 42% e outro instituto aparece dias depois com 35%, não significa necessariamente que ele perdeu sete pontos. Para medir tendência, o ideal é acompanhar a evolução dentro da mesma série.

E pesquisas não vão faltar. Pelos registros mais recentes no sistema da Justiça Eleitoral, há levantamentos de Datasensus, Datatrends, TDL, Veritá, Índice Inteligência, Falpe, Paraná e Ranking, entre outros para serem divulgados até o próximo dia 6.

O eleitor vai receber uma enxurrada de números. Pesquisa pode ajudar a entender a eleição. Pode mostrar tendências, identificar mudanças no eleitorado e ajudar a medir a força dos candidatos. Mas, quando resultados muito diferentes aparecem em sequência, também pode gerar confusão. É aí que aumenta a responsabilidade de quem divulga.

A imprensa não pode se limitar ao título dizendo quem está na frente. Precisa mostrar metodologia, contratante, margem de erro, histórico do instituto e explicar que pesquisas diferentes não formam necessariamente uma sequência. E o eleitor precisa desconfiar de qualquer número apresentado como verdade definitiva.

A eleição segue aberta. A guerra das pesquisas, pelo visto, está apenas começando.