Eleições 2026

Renan Santos se emociona após suspensão de campanha e acusa Toffoli de perseguição

Renan Santos iniciou a coletiva, de forma equivocada, dizendo que "aparentemente, é um ex-candidato agora falando"

Por Sputnik Brasil com Redação 01/09/2026 05h05
Renan Santos se emociona após suspensão de campanha e acusa Toffoli de perseguição
Foto: © Sputnik Brasil / Guilherme Correia

O candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), convocou a imprensa nesta segunda-feira (31) para comentar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que suspendeu sua campanha digital, mas manteve sua candidatura.

Renan Santos iniciou a coletiva, de forma equivocada, dizendo que "aparentemente, é um ex-candidato agora falando". Visivelmente emocionado, classificou o episódio como parte de uma "escalada autoritária no Judiciário", citando uma "inflexão autoritária nos tribunais" e uma "ditadura dentro do judiciário".

Toffoli, que também integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão da campanha digital de Renan Santos sob a alegação de que o candidato omitiu 16 perfis em redes sociais no registro inicial de sua candidatura, comunicando-os ao TSE apenas 12 dias depois. Pela legislação eleitoral, perfis já existentes devem ser informados no momento do registro, e novos perfis, comunicados em até 24 horas.

Segundo o ministro, a omissão estratégica permitiu que os perfis de Renan permanecessem sujeitos aos algoritmos de recomendação das plataformas, enquanto concorrentes não omitiam perfis, criando desequilíbrio eleitoral. A suspensão bloqueia novas propagandas digitais, corta repasses do Fundo Eleitoral e impede a participação do candidato em debates em rádio, TV e podcasts.

Sobre os algoritmos de recomendação, Renan argumentou que perfis de outros políticos, tanto da direita quanto da esquerda, poderiam ser enquadrados no mesmo entendimento. "Não estou aqui, de maneira alguma, falando que eles deveriam ter suas candidaturas cassadas, nem os demais que citei, porque esse caso é apenas absurdo."

Santos afirmou que seus advogados já haviam respondido aos pedidos da Justiça Eleitoral em 19 de agosto. O prazo final para registros de candidatura foi em 15 de agosto, e a campanha começou oficialmente no dia 16.

O advogado da campanha, Arthur Rollo, informou que a defesa apresentará ainda nesta segunda-feira um mandado de segurança ao TSE contra as decisões de Toffoli. Segundo ele, será solicitada uma liminar ao presidente da Corte, ministro Nunes Marques, para suspender as restrições.

Rollo também questionou o impedimento de participação em sabatinas, por se tratar "de um problema de rede social". O advogado avaliou que, mesmo que a decisão seja revertida, haverá prejuízo irreparável ao candidato. "Como é que a gente faz para devolver o tempo de campanha do Renan?", indagou.

Durante a coletiva, Renan exibiu vídeos publicados anteriormente com críticas a Toffoli e sobre supostas relações envolvendo o ministro. "[A decisão é] do Dias Toffoli, ministro do STF, que está hoje no TSE e que foi nomeado pelo mesmo grupo político que, há dez anos, eu afastei do poder no Brasil. A história, alguns dizem que é cíclica, mas a história é a história."

Campanhas como as de Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) manifestaram-se contrárias à decisão.

Renan Santos afirmou que não aceita a acusação e negou que seus perfis estejam registrando crescimento que demonstre benefício eleitoral irregular. "Não dá para justificar de maneira racional e razoável, nem do ponto de vista jurídico, nem do ponto de vista político", concluiu.

Por Sputinik Brasil