Eleições 2026
Renan Filho vai de Lula, Gaspar de Flávio; JHC e Lira ficam no muro
Para o bem e para o mal, Renan Filho começou a colocar Lula cada vez mais dentro do seu palanque
Faltando nove dias para o fim do prazo das convenções, há um detalhe importante na política de Alagoas: entre os pré-candidatos ao governo, só Renan Filho assumiu claramente uma posição na eleição presidencial.
Para o bem e para o mal, Renan Filho começou a colocar Lula cada vez mais dentro do seu palanque. Renan Calheiros é Lula desde o início. Renan Filho também. Mas, nas últimas semanas, o pré-candidato do MDB ao governo passou a usar com mais frequência a imagem, o nome e o peso político do presidente em sua pré-campanha.
É uma aposta programada e a tendência é ganhar mais força com a a proximação da eleição de 4 de outubro.
Renan Filho trabalha com a lógica de que Lula ajuda em Alagoas, especialmente no interior e entre eleitores que associam o presidente a programas sociais, investimentos federais e obras públicas. Ao mesmo tempo, ao assumir Lula com mais força, também nacionaliza parte da disputa estadual.
Do outro lado, quem faz movimento parecido é Alfredo Gaspar. Gaspar é, até agora, o nome majoritário em Alagoas que mais aposta em Flávio Bolsonaro como cabo eleitoral. Participou do ato que lançou Flávio à Presidência na última semana e tem tratado o projeto nacional do PL como parte importante da sua pré-campanha ao Senado.
Para o bem e para o mal, Gaspar decidiu jogar esse jogo.
Quem evita o tema
Entre os pré-candidatos ao Senado, Renan Calheiros também já definiu o voto em Lula. A tendência é que Lula reforce a pré-campanha de Renan em Alagoas, assim como Renan deve reforçar a campanha presidencial do petista no Estado.
Davi Davino Filho já declarou voto no campo bolsonarista, mas tem sido discreto no apoio a Flávio Bolsonaro. Sua pré-campanha ao Senado aparece mais centrada no discurso de renovação e independência do que numa vinculação nacional mais direta.
Entre os nomes mais competivos das eleições majoritárias, Arthur Lira e JHC seguem em outro caminho.
Até agora, os dois evitam falar com clareza sobre a eleição presidencial. Lira não declarou apoio a nenhum pré-candidato a presidente. JHC também não. E esse é um movimento calculado.
JHC tenta preservar espaço em diferentes campos. Sabe que grande parte do seu eleitorado em Maceió tem simpatia pela direita, mas também sabe que uma vinculação direta ao bolsonarismo pode criar dificuldades em outros segmentos - especialmente entre eleitores do interior.
JHC teria feito um acrdo com Lula, no porcesso que garantiu a nomeação da tia dele, Marluce Caldas, parao STJ. Mas não parece disposto a subir no palanque do presidente - pelo menos até agora.
Lira vive dilema parecido, mas em escala nacional. Tem compromissos, relações e interesses em Brasília. Por isso, evita antecipar uma definição presidencial que possa limitar seus movimentos em Alagoas e fora dela.
No cenário de hoje, Renan Filho é o nome mais intenso na defesa de Lula entre os pré-candidatos ao governo. Alfredo Gaspar é o mais intenso na defesa de Flávio Bolsonaro entre os pré-candidatos majoritários.
Cada escolha tem preço. Para o bem e para o mal. Lula vive bom momento, de alta nas pesquisas e vai entrar na campanha em Alagoas. Flávio, o mais competitivo entre presidenciáveis da oposição, também. Resta saber se JHC, conseguirá disputr o governo, sem descer do muro.

