Eleições 2026

Alagoas quadruplica número de cidades com mais eleitores que habitantes

Levantamento aponta que estado passou de três para 15 municípios nessa condição entre 2022 e 2026

Por Redação* 27/07/2026 10h10
Alagoas quadruplica número de cidades com mais eleitores que habitantes
Levantamento utiliza dados do TSE e estimativas populacionais do IBGE para analisar o eleitorado alagoano - Foto: Assessoria

Alagoas registrou um aumento de 400% no número de municípios com mais eleitores do que habitantes entre as eleições de 2022 e 2026. Levantamento da Agência Tatu, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nas estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o estado passou de três para 15 cidades nessa situação.

O crescimento é o segundo maior do Nordeste em termos proporcionais, ficando atrás apenas do Ceará, que passou de dois para 14 municípios. Ao todo, a região reúne 279 cidades com eleitorado superior à população estimada.

Em Alagoas, os maiores percentuais de diferença foram registrados em Olho d'Água Grande, Jundiá e Chã Preta. Olho d'Água Grande possui população estimada em 4.381 habitantes e 5.156 eleitores aptos a votar, uma diferença de 17%. Jundiá contabiliza 4.175 moradores e 4.851 eleitores, enquanto Chã Preta tem cerca de 6 mil habitantes e 6.930 eleitores cadastrados.

O estudo aponta que Alagoas possui aproximadamente 3,2 milhões de habitantes e cerca de 2,4 milhões de eleitores. Apesar de o eleitorado estadual ser inferior ao total da população, 15 municípios apresentam mais eleitores registrados do que moradores estimados pelo IBGE. Em 2022, apenas Jundiá, Belém e Mar Vermelho integravam essa lista.

A cientista política Luciana Santana afirma que a diferença entre o número de eleitores e de habitantes não representa, por si só, indício de fraude eleitoral. Segundo ela, fatores como migração, manutenção do domicílio eleitoral e vínculos familiares, especialmente em municípios de pequeno porte, podem explicar o fenômeno. Ainda assim, a pesquisadora defende que esses casos sejam acompanhados pelos órgãos competentes, já que um contingente significativo de eleitores não residentes pode influenciar o resultado das eleições locais.

*Com informações da Agência Tatu