Eleições 2026
Quem foi que disse que Renan Filho é de esquerda?
Renan Filho afirmou que nunca foi de esquerda nem de direita
Quem foi que disse que Renan Filho é de esquerda? A pergunta cabe depois da repercussão provocada por uma fala do senador e pré-candidato ao Governo de Alagoas durante um encontro com lideranças evangélicas, na segunda-feira (20/07).
Renan Filho afirmou que nunca foi de esquerda nem de direita e voltou a se definir como um político de centro. “Nunca fui de esquerda, nem de direita. Sou uma pessoa eminentemente de centro”, disse.
A fala provocou reação do vereador bolsonarista Leonador Dias (PL), que relembrou nas redes socinais outra declaração de Renan Filho: “Neutro é shampoo de neném. Eu não sou neutro, eu sou Lula.”
A combinação das duas frases foi apresentada por adversários como uma contradição. Não é.
Renan Filho não disse que é neutro na disputa nacional. Disse que ocupa o centro político e apoia Lula. Uma coisa não anula necessariamente a outra.
O ministro também fez uma distinção importante: afirmou que é eleitor e aliado do presidente, mas não se apresentou como “o candidato de esquerda” na eleição estadual.
Renan Filho pode ser Lula sem ser de esquerda. E essa não é uma definição nova. Setores do centro e até da direita já marcharam e acompanham Lula. O próprio presidente não se considera um "esquerdista" ao pé da palavra.
Centro e Lula
Em julho de 2025, durante um evento em São Paulo, Renan Filho já defendia que Lula deveria ocupar mais o centro político, enquanto o bolsonarismo avançava para a extrema direita.
A avaliação era eleitoral e também administrativa: ampliar o diálogo com setores moderados e evitar que a disputa nacional ficasse limitada aos extremos.
No Governo de Alagoas e como ministro dos Transportes, Renan Filho adotou medidas normalmente associadas ao centro e, em alguns casos, ao centro-direita na economia. Realizou concessões, apoiou privatizações, buscou equilíbrio fiscal, implantou mecanismos de gestão por resultados e defendeu eficiência e meritocracia no serviço público.
Não por acaso, Ronaldo Lessa chegou a classificar Renan Filho como um político de centro-direita. Ao justificar a avaliação, citou especialmente sua atuação favorável às privatizações e concessões.
Lessa não fez a afirmação como uma acusação. Fez como uma definição política. O curioso é que Ronaldo Lessa, um político historicamente identificado com a esquerda e a centro-esquerda, aparece agora entre os nomes cotados para integrar como vice a chapa de JHC.
A política alagoana tem dessas coisas. De que lado está JHC?
Enquanto Renan Filho reafirma sua posição, JHC ainda não apresentou ao eleitorado uma definição ideológica tão objetiva.
Ele é de direita, de centro-direita ou também pretende ocupar o centro?
A trajetória partidária não resolve completamente a questão. JHC já passou pelo PSB, partido identificado com a centro-esquerda, foi reeleito prefeito pelo PL, legenda que se consolidou como principal força do bolsonarismo, e agora está filiado ao PSDB.
O PSDB nasceu como um partido social-democrata e durante muitos anos ocupou o centro e a centro-direita no sistema político brasileiro. Em Alagoas, porém, JHC reúne setores conservadores, antigos bolsonaristas, lideranças de centro e nomes com trajetória na esquerda, como Ronaldo Lessa.
Isso permite diferentes alianças. Mas não responde à pergunta.
JHC será candidato da direita? Do centro? Ou tentará reunir os dois campos sem assumir uma posição mais definida?
A direita terá espaço próprio na eleição, especialmente por meio de candidaturas e partidos ligados ao bolsonarismo. A esquerda já tem uma candidata claramente identificada com esse campo: Lenilda Luna, da Unidade Popular, oficializada na terça-feira (21/07) para disputar o Governo de Alagoas.
Renan Filho diz que é do centro. E JHC?
A discussão não é apenas semântica. A posição ideológica ajuda o eleitor a compreender quais alianças, propostas econômicas e prioridades administrativas cada candidato pretende defender.
Renan Filho não surpreendeu ao negar que seja de esquerda. Apenas repetiu o que vem dizendo há anos. A novidade seria JHC dizer, com a mesma clareza, onde pretende se colocar.

