Eleições 2026

Flávio Bolsonaro acusa Moraes de interferência eleitoral

Flávio classificou a decisão como desproporcional e afirmou que o objetivo seria deixar o pai "incomunicável" até depois do primeiro turno das eleições

Por Sputnik Brasil com Redação 14/07/2026 05h05
Flávio Bolsonaro acusa Moraes de interferência eleitoral
Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusou nesta segunda-feira (13) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de tentar interferir nas eleições de 2024 ao suspender, por 90 dias, seu direito de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio classificou a decisão como desproporcional e afirmou que o objetivo seria deixar o pai "incomunicável" até depois do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

"Eu fui surpreendido por essa decisão do ministro Alexandre de Moraes dizendo que um filho não pode visitar o próprio pai por 90 dias. É algo completamente desproporcional, desarrazoado e claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano", declarou o senador.

Flávio questionou o critério para a restrição de 90 dias e alegou motivação política na medida, que impede qualquer contato com o pai até o fim do período eleitoral inicial. O parlamentar também negou ter descumprido decisões judiciais ao divulgar a carta escrita por Bolsonaro. Ele lembrou que outros textos do ex-presidente já haviam sido publicados desde o início das restrições do STF, inclusive por Michelle Bolsonaro, sem questionamentos da Corte.

No entanto, Flávio não mencionou a decisão de Moraes que determinou prisão domiciliar de Bolsonaro em agosto de 2025, após o ex-presidente ser acusado de desrespeitar medidas cautelares ao participar, por vídeochamada, de ato político em São Paulo.

"Qual é a diferença de eu publicar na minha rede, de a Michelle publicar na dela, de publicar no YouTube ou de qualquer veículo de comunicação divulgar?", questionou Flávio.

O senador afirmou ainda que recorrerá à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já que integra a defesa de Bolsonaro e, segundo ele, teve prerrogativas profissionais desrespeitadas. Flávio acusou Moraes de buscar "qualquer desculpa" para endurecer restrições ao ex-presidente e retirá-lo da prisão domiciliar.

Propaganda eleitoral antecipada

A manifestação de Flávio ocorreu horas após Moraes determinar a suspensão, por 90 dias, do direito de visita ao ex-presidente. Na mesma decisão, o ministro concedeu prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro informe se ele tinha conhecimento de que uma carta escrita durante a prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais.

Moraes também encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apurar possível prática de propaganda eleitoral antecipada. A medida foi tomada após Flávio anunciar a leitura da carta e transmiti-la integralmente nas redes sociais.

Para o ministro, a visita do senador teve como objetivo obter um documento destinado à divulgação em plataformas digitais, numa tentativa de contornar a proibição imposta a Jair Bolsonaro de usar redes sociais, direta ou indiretamente.

Na carta, o ex-presidente pede apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, referindo-se ao filho como seu "porta-voz" e a melhor opção para comandar o país.

A manifestação de Flávio ocorre em meio a uma crise envolvendo integrantes da família Bolsonaro. Nas últimas semanas, Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocaram críticas públicas pelas redes sociais. Michelle afirmou ter sido humilhada e maltratada pelo senador, enquanto ele pediu desculpas e disse que não teve intenção de ofendê-la.

Sem citar diretamente os atritos, Bolsonaro defendeu, na carta, a unidade do grupo político liderado por ele, reafirmou a confiança no filho e disse acreditar que Flávio poderá "resgatar o Brasil" e conduzir o país "à paz e prosperidade".

Flávio culpa Lula por possível tarifa dos EUA

Durante a transmissão, Flávio também comentou a possibilidade de os Estados Unidos voltarem a impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e responsabilizou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo impasse.

Segundo o senador, o governo brasileiro deixou de negociar com Washington e colocou "a ideologia acima" dos interesses do país. Flávio afirmou ter ido aos Estados Unidos para apresentar argumentos técnicos, o que contradiz relatos de presentes na audiência, e disse que uma eventual sobretaxa será consequência da postura do Planalto.

"A tarifa vai chegar para o Brasil. Não é nenhuma informação privilegiada. O Lula não manda ninguém para negociar", afirmou.

Flávio também criticou o discurso do governo sobre soberania nacional e comparou as medidas norte-americanas a barreiras comerciais impostas por outros países. Para o senador, Lula "provoca as tarifas" ao adotar postura de confronto com os Estados Unidos.