Eleições 2026

Flávio Bolsonaro perde apoio entre eleitores indecisos após envio de dossiê

Segundo um dos principais jornais do país, o dossiê de 86 páginas encaminhado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo norte-americano, solicitando a suspensão por 180 dias das tarifas, provocou reação negativa entre os chamados eleitores pendular

Por Sputnik Brasil com Redação 07/07/2026 06h06
Flávio Bolsonaro perde apoio entre eleitores indecisos após envio de dossiê
Foto: © Foto / Divulgação

Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste entre eleitores indecisos após enviar aos Estados Unidos um dossiê pedindo a suspensão de tarifas sobre produtos brasileiros. O movimento foi interpretado como sinal de submissão e motivado por interesses eleitorais, enquanto o presidente Lula avançou nesse grupo ao ser percebido como mais alinhado aos interesses do Brasil.

Segundo um dos principais jornais do país, o dossiê de 86 páginas encaminhado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo norte-americano, solicitando a suspensão por 180 dias das tarifas, provocou reação negativa entre os chamados eleitores pendulares — segmento decisivo em disputas polarizadas. Os dados são da oitava rodada da pesquisa qualitativa do Instituto Democracia em Xeque.

De acordo com o levantamento, esse grupo reagiu mal ao gesto do senador, que teria perdido não apenas confiança, mas também autonomia narrativa junto a esse público.

Os entrevistados enxergaram no documento maior preocupação do senador com o impacto eleitoral das tarifas do que com a defesa das empresas brasileiras afetadas.

A menção ao Pix na carta enviada ao então presidente dos EUA, Donald Trump, também repercutiu negativamente, sendo interpretada por parte dos participantes como um sinal de alinhamento aos interesses de empresas norte-americanas de cartões de crédito.

O estudo aponta ainda que, pela terceira semana consecutiva, a agenda de Flávio Bolsonaro estaria dominada por polêmicas e explicações consideradas insuficientes, além da percepção de omissão de informações relevantes.

Beto Vasques, diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque, afirmou que episódios recentes — como a carta a Trump, o ruído envolvendo Michelle Bolsonaro e declarações de Paulo Figueiredo sobre o voto feminino — reforçaram a imagem de Flávio como um candidato visto menos como figura autônoma e mais como extensão de uma família em conflito permanente, envolvida em controvérsias sucessivas e percebida como subordinada aos Estados Unidos.

Nesse cenário, a pesquisa qualitativa indica avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores pendulares. Embora Lula não desperte entusiasmo nesse segmento, ele é associado de forma mais consistente às políticas sociais e à defesa dos interesses do Brasil. Os participantes destacaram a diferença entre manter uma boa relação com os EUA e adotar postura de submissão aos interesses norte-americanos.

O senador Flávio Bolsonaro está inscrito para falar na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington. No entanto, aliados já manifestam preocupação de que sua participação possa ser explorada pela campanha de Lula.

Em paralelo, a defesa do Brasil feita por Lula foi bem recebida, ainda que persistam críticas ao que alguns classificaram como discurso "antiamericanista".

Enquanto isso, o impacto do envolvimento de Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, em um suposto esquema de corrupção, permanece, mas com menor intensidade, já que o afastamento de Wagner da liderança do governo foi bem avaliado por esse eleitorado.