Eleições 2026
Real Time dá Renan Filho; Paraná dá JHC: quem está certo?
A Real Time Big Data mostrou Renan Filho em melhor posição
Duas pesquisas divulgadas praticamente no mesmo período colocaram mais lenha na fogueira na disputa pelo Governo de Alagoas. A Real Time Big Data mostrou Renan Filho em melhor posição. A Paraná Pesquisas mostrou JHC numericamente à frente. E aí vem a pergunta inevitável: qual instituto está certo?
Ainda não dá para saber. Mas dá para comparar. A pesquisa Real Time Big Data foi registrada no TSE sob o nº AL-02519/2026 e divulgada em 1º de julho. O instituto ouviu 1.600 eleitores entre os dias 29 e 30 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na espontânea, quando o eleitor responde sem receber lista de nomes, Renan Filho aparece com 23%, contra 20% de JHC. Paulo Dantas tem 1%, outros somam 3%, brancos e nulos são 8%, e 45% não sabem ou não responderam.
Na estimulada, com os nomes apresentados ao eleitor, a Real Time mostra empate: Renan Filho 46%, JHC 46%. Brancos e nulos somam 5%, e 3% não sabem ou não responderam.
Já a Paraná Pesquisas, encomendada pela TV Pajuçara, foi registrada no TSE sob o nº AL-04491/2026. O levantamento foi realizado entre 28 de junho e 1º de julho, com 1.400 eleitores em 52 municípios. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.
No cenário estimulado com três nomes, a Paraná mostra JHC com 45,9%, Renan Filho com 41% e Lenilda Luna com 1,4%. Brancos, nulos e nenhum somam 6,4%; outros 5,4% não sabem ou não opinaram.
Os principais números
Real Time Big Data: 1.600 entrevistas; margem de erro de 2 pontos; campo entre 29 e 30 de junho.
- Renan Filho 23% x 20% JHC na espontânea;
- Renan Filho 46% x 46% JHC na estimulada.
Paraná Pesquisas: 1.400 entrevistas em 52 municípios; margem de erro de 2,7 pontos; campo entre 28 de junho e 1º de julho.
- JHC 45,9% x 41% Renan Filho no cenário com Lenilda Luna (1,4%).
Ou seja: a Real Time indica empate, com Renan Filho melhor na lembrança espontânea. A Paraná mostra JHC à frente, mas com diferença no limite da margem de erro.
Não são retratos iguais, mas estão próximos — como se fossem fotografias do mesmo lugar, com ângulo ligeiramente diferente.
As duas pesquisas foram feitas em datas próximas, mas usam metodologias, amostras e questionários próprios. A Real Time trabalhou com 1.600 entrevistas e margem menor. A Paraná ouviu 1.400 eleitores, em 52 municípios, e incluiu Lenilda Luna no cenário estimulado.
A presença de uma terceira candidata, mesmo com percentual baixo, pode alterar a distribuição dos votos. Também muda a forma como o eleitor enxerga o cenário.
Há outro ponto: a espontânea da Real Time favorece Renan Filho. Esse dado mede lembrança direta, sem lista. É um indicador importante de recall político. Já a estimulada da Paraná, quando o eleitor recebe os nomes na disputa, favorece JHC.
Em resumo, Renan Filho aparece melhor na espontânea; JHC, melhor no cenário estimulado.
Quem está certo?
Talvez os dois institutos estejam mostrando partes diferentes do mesmo quadro. Mas nenhuma das pesquisas autoriza comemoração antecipada. O retrato revela um cenário de disputa acirrada.
A Real Time não dá vantagem folgada a Renan Filho. A Paraná não dá vantagem confortável a JHC. O que existe, hoje, é uma disputa apertada, com sinais diferentes conforme o instituto, a metodologia e o cenário apresentado ao eleitor.
A memória de 2022 pode servir para calibrar a leitura, como cuidado metodológico. Na eleição passada, Real Time e Paraná chegaram muito perto do resultado final do segundo turno entre Paulo Dantas e Rodrigo Cunha — ambos cravaram 52% contra 48%. Mas, no primeiro turno, a última pesquisa Paraná antes da votação ficou distante do resultado de Paulo Dantas nas urnas.
Esse detalhe importa porque 2026 ainda está longe da urna. Pesquisa não é bola de cristal para prever resultado de eleição. É uma foto do momento. E o retrato de hoje mostra uma disputa embolada.
Quem está certo? Só a urna dirá. Até lá, cada pesquisa será usada como munição por um lado e contestada pelo outro. Em Alagoas, não é de hoje que levantamento eleitoral virou parte da campanha. Mas essa é outra história.

