Eleições 2026
'A direita estará toda unida no segundo turno', afirma Romeu Zema em entrevista
Zema destacou o excesso de gastos do governo federal e o avanço da criminalidade como os maiores desafios atuais
Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), apresentou um diagnóstico contundente sobre os principais obstáculos ao desenvolvimento do país.
Zema destacou o excesso de gastos do governo federal e o avanço da criminalidade como os maiores desafios atuais, defendendo um modelo baseado em privatizações, segurança jurídica e atração de capital privado.
Segundo o pré-candidato, a crise nacional se divide em três frentes urgentes:
"Não é um problema, são três grandes problemas: gastança que provoca juros altos, criminalidade lá em cima, precisamos colocar bandido atrás das grades e acabar com essa farra dos intocáveis em Brasília, pessoas que se consideram acima da lei."
Sobre as eleições presidenciais, Zema minimizou possíveis atritos com alas do bolsonarismo e afirmou que a oposição se unirá no segundo turno.
"A direita estará toda unida no segundo turno. Se eu discordo do Flávio em alguma coisa, eu discordo do Lula muito mais", declarou.
Defensor de um Estado enxuto, Zema citou o "revogaço" realizado em Minas Gerais, que eliminou mais de 22 mil leis e regulamentos considerados obstáculos ao empreendedorismo.
"Em Minas nós fizemos um revogaço, eliminamos mais de 22 mil leis, regulamentos que só serviam para complicar a vida de quem empreende, de quem produz, de quem paga impostos, de quem gera emprego. E o Brasil só tem caminhado no sentido de complicar cada vez mais. Eu quero essa simplificação, essa desburocratização", afirmou.
Para Zema, a eficiência dos serviços públicos depende da transferência de ativos não essenciais para a iniciativa privada, permitindo ao setor público focar em áreas estratégicas como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
"Quem governa já tem uma tarefa de Hércules na área da saúde, da educação, da segurança pública e da infraestrutura. Então, nós temos de vender estatais, temos de fazer concessões daquilo que é viável para a iniciativa privada, para o setor público focar naquilo que é importante. [...] Em Minas, nós fizemos mais concessões nos meus sete anos de governo do que nos 70 anos anteriores do estado."
No campo da transição energética, Zema propôs "imposto zero" sobre energia para empreendimentos tecnológicos, visando atrair mega datacenters e fomentar a infraestrutura digital.
"A energia que é gerada tem um custo baixo, mas o consumidor paga caro porque tem contribuição disso, imposto daquilo. A minha proposta é não ter nada de encargo sobre a energia para empreendimentos tecnológicos", explicou.
O pré-candidato também defendeu a verticalização da produção mineral, citando exemplos de processamento de nióbio e baterias de lítio em Minas Gerais para agregar valor à exportação.
Sobre segurança pública, Zema sugeriu equiparar facções criminosas a grupos terroristas, seguindo exemplos internacionais como o de El Salvador.
"Eu faria aqui no Brasil o que vários outros países já fizeram: equiparar facções e organizações criminosas a grupos terroristas, porque utilizam escudo humano, como as ações do novo cangaço, e controlam território. Hoje essas organizações criminosas fazem com que milhões de brasileiros tenham uma vida deplorável [...]. Nós temos de colocar um fim nesse crime organizado e nada melhor do que aumentar o custo do crime."
Na política externa, Zema criticou o alinhamento do Brasil com o grupo BRICS e defendeu maior aproximação com países ocidentais e a inserção na OCDE.
"Na política externa, a estratégia vai ser aproximar o Brasil dos países do Ocidente, dos quais o Brasil só tem se distanciado. O Brasil se aproximou muito do BRICS, que é uma colcha de retalhos, é um Frankenstein. [...] O problema está muito visível: é de quem o Brasil foi se aproximar, de quem o Lula gosta. É do Fidel Castro, era do Hugo Chávez, depois do Nicolás Maduro, é do regime do Irã. O Brasil precisa estar caminhando com países que são exemplos de democracia", defendeu.
A estratégia diplomática, segundo ele, é focar na integração do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), fortalecendo os laços com o Ocidente.


