Eleições 2026
Quem tem medo de pesquisas eleitorais em Alagoas?
Só este ano, levantamentos da TDL, Veritá, Falpe e agora Vox Brasil foram parar nos tribunais
A Justiça Eleitoral suspendeu a divulgação de mais uma pesquisa eleitoral em Alagoas. Desta vez, a pedido da Federação PSDB-Cidadania, contra levantamento do Instituto Vox Brasil, contratado pela Jovem Pan News Maceió.
Não é um caso isolado.
Antes, MDB e outros partidos também recorreram à Justiça contra a divulgação de pesquisas. Só este ano, levantamentos da TDL, Veritá, Falpe e agora Vox Brasil foram parar nos tribunais.
Em alguns casos, decisões foram revistas. Em outros, houve proibição de divulgação, questionamentos sobre metodologia, inconsistências no registro e até multa.
O problema é que a repetição começa a chamar atenção.
Pesquisa eleitoral pode ter falhas. Quando tem, deve ser questionada. Até aí, tudo certo. Mas quando levantamento atrás de levantamento passa a ser barrado antes mesmo de o eleitor conhecer os resultados, fica no ar uma dúvida incômoda: ainda estamos falando apenas de fiscalização ou já existe cheiro de censura no ar da política alagoana?
Pesquisa é retrato do momento. Pode agradar, incomodar, errar, acertar ou ser contestada. Mas impedir sua divulgação, de forma recorrente, não combina com a democracia.
Mais cedo ou mais tarde, os números aparecem. Se não por um instituto, por outro. Se não numa pesquisa registrada, nos levantamentos de consumo interno que circulam nos bastidores e orientam discursos, alianças e ataques.
A diferença é simples: quando os dados ficam só nas mãos dos grupos políticos, quem perde é o eleitor.
Alagoas caminha para uma disputa acirrada este ano. Quem é do ramo sabe que cada pesquisa ajuda a medir força, rejeição e tendência. Por isso, cada número vira munição.
Mas judicializar toda pesquisa não fortalece a democracia. Ao contrário, enfraquece o debate público.
A pergunta, portanto, continua de pé: quem tem medo das pesquisas em Alagoas?
Uma coisa é cobrar rigor técnico. Outra, bem diferente, é transformar a Justiça em trincheira para impedir que o eleitor veja o retrato do momento.


