Eleições 2026
Quem vai esperar JHC? Lira e Davi fazem campanha “solo”, já Gaspar...
Enquanto JHC segue sem definir a composição completa da chapa majoritária, os principais pré-candidatos ao Senado parecem cada vez menos dispostos a esperar
O relógio começou a correr para todos os grupos da oposição. Enquanto JHC segue sem definir a composição completa da chapa majoritária, os principais pré-candidatos ao Senado parecem cada vez menos dispostos a esperar.
Arthur Lira já deixou claro que sua prioridade é o Senado e liberou a base para apoiar quem quiser para o governo.
Davi Davino Filho faz pré-campanha própria e descarta qualquer conversa sobre vice. Os dois sinalizam que pretendem seguir seus próprios projetos, independentemente das definições de JHC.
E Alfredo Gaspar também percorre o Estado em agenda independente, mas ainda parece manter diálogo com JHC, talvez acreditando que seja possível construir uma aliança com o pré-candidato ao governo.
O resultado é uma oposição que continua dividida justamente quando a base governista acelera a pré-campanha de Renan Filho.
Nos últimos meses, JHC conseguiu impor o ritmo da disputa. Entrou cedo na pré-campanha, percorreu municípios, colocou material nas ruas e obrigou Renan Filho a antecipar movimentos que inicialmente estavam previstos para mais perto da eleição.
Mas o jogo começa a produzir efeitos colaterais.
A principal aposta do grupo de JHC era construir uma ampla frente de oposição reunindo Arthur Lira, Alfredo Gaspar, Davi Davino Filho e outras lideranças da direita e do centro-direita. Até agora, isso não aconteceu.
Pelo contrário.
Davi Davino Filho já deixou claro que não pretende discutir vice-governadoria nem abrir mão da candidatura ao Senado. Arthur Lira, por sua vez, mudou o discurso e passou a afirmar que trabalhará com qualquer governador eleito, concentrando suas energias na própria campanha ao Senado.
Na prática, os dois deixaram de esperar.
Arthur foi além. Ao afirmar que apoiará qualquer governador eleito, acabou liberando prefeitos, vereadores e lideranças de sua base para construírem seus próprios caminhos na disputa estadual.
Já Davi consolidou uma aliança com o Novo, recebeu garantia do Republicanos para disputar o Senado e percorre o Estado em campanha própria, sem depender de qualquer definição do PSDB.
A dúvida agora é Alfredo Gaspar.
O deputado federal aparece bem posicionado nas pesquisas para o Senado, mantém agenda própria e avança na construção da candidatura. No último sábado, porém, esteve ao lado de JHC durante evento do vereador Kelmann Vieira, mantendo aberta a possibilidade de entendimento político.
O problema é que o tempo corre.
Uma composição envolvendo JHC, Arthur Lira e Alfredo Gaspar parece cada vez mais difícil. Principalmente depois que Arthur resolveu concentrar sua estratégia no Senado e deixou de condicionar seus movimentos a uma definição do ex-prefeito de Maceió.
Enquanto isso, JHC continua percorrendo cidades do interior e fazendo pequenos atos políticos. Uma presença tem se tornado cada vez mais frequente ao seu lado: a ex-prefeita Célia Rocha, nome que segue forte nas conversas para ocupar a vice-governadoria.
Politicamente, a oposição perdeu parte da força que teria caso conseguisse reunir, numa mesma chapa, JHC, Arthur Lira, Alfredo Gaspar e Davi Davino Filho.
Hoje, esse cenário parece mais distante do que há alguns meses.
Nada disso significa que a eleição esteja definida. Mas significa que a indefinição da chapa majoritária começa a produzir consequências políticas concretas.
Enquanto a base governista atua com um campo mais organizado, reunindo Paulo Dantas, Renan Filho, Renan Calheiros, Marcelo Victor e a maioria dos prefeitos e deputados estaduais, a oposição ainda busca uma fórmula capaz de unir seus principais atores.
E na política existe uma regra conhecida: quem demora demais para decidir corre o risco de ver os aliados seguirem seus próprios caminhos.


