Eleições 2026

No Nordeste, governo vira em 4 estados: movimento pode chegar a AL?

Em pelo menos quatro estados da região, candidatos à reeleição ou apoiados pelos governos estaduais alcançaram adversários ou assumiram a liderança das disputas

Por Blog de Edivaldo Junior 01/06/2026 13h01
No Nordeste, governo vira em 4 estados: movimento pode chegar a AL?
Raquel Lira e João Campos durante reunião em janeiro de 2024. - Foto: Assesoria / Governo de Pernambuco

Uma sequência de pesquisas divulgadas nas últimas semanas chamou a atenção de estrategistas políticos em todo o Nordeste.

Em pelo menos quatro estados da região, candidatos à reeleição ou apoiados pelos governos estaduais alcançaram adversários ou assumiram a liderança das disputas para 2026.

O caso mais emblemático é Pernambuco. Durante meses, João Campos (PSB) apareceu como favorito absoluto. Mas a mais recente pesquisa Datafolha mostrou a governadora Raquel Lyra (PSD) numericamente à frente, invertendo um cenário que parecia consolidado.

Na Bahia, levantamentos recentes apontam empate técnico entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil), que liderou pesquisas durante boa parte do ciclo político. No Ceará, Elmano de Freitas (PT) aparece em vantagem sobre Ciro Gomes. No Rio Grande do Norte, pesquisas registram crescimento de Cadu Xavier (PT), candidato da governadora Fátima Bezerra.

Os cenários são diferentes, mas existe um ponto comum: em todos os casos, candidatos ligados aos governos estaduais cresceram à medida que as pré-campanhas avançaram.

Em Alagoas, a pergunta começou a circular nos bastidores: o mesmo movimento pode acontecer por aqui?

Até agora, as pesquisas registradas apresentaram resultados distintos. Levantamentos da TDL mostraram vantagem para JHC. Já uma pesquisa posterior apontou uma virada numérica de Renan Filho, embora tenha sido posteriormente suspensa pela Justiça Eleitoral.

Mais do que os números, chama atenção a movimentação dos dois grupos. JHC saiu na frente, ampliou agendas pelo interior e investiu fortemente na presença digital. Renan Filho entrou mais tarde na disputa de rua, mas intensificou a agenda nas últimas semanas, acompanhado pelo governador Paulo Dantas e por lideranças regionais.

O peso da estrutura governista também aparece como diferencial. O MDB conta com o apoio da ampla maioria dos prefeitos, de mais de 20 deputados estaduais e da maior estrutura partidária do Estado. Paulo Dantas assumiu papel ativo na pré-campanha, participando de praticamente todas as agendas de Renan Filho.

Existe ainda outro elemento comum nos estados onde os governistas aparecem crescendo. Os candidatos que avançaram nas pesquisas estão alinhados ao presidente Lula. Na Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, são do PT. Em Pernambuco, Raquel Lyra se aproximou do Palácio do Planalto.

Em Alagoas, esse fator ainda foi pouco explorado eleitoralmente. Renan Filho integra a base do governo federal e aliados avaliam que tanto o peso da gestão estadual quanto a associação com Lula tendem a ganhar espaço na campanha.

Por isso, ainda é cedo para conclusões. O que as pesquisas do Nordeste mostram é que eleições estaduais costumam ser mais complexas do que parecem no início da disputa.

Em Pernambuco, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, candidatos que largaram atrás reduziram diferenças ou assumiram a liderança.

Em Alagoas, a principal dúvida hoje não é apenas quem está na frente. A questão é saber se o movimento observado em outros estados da região também chegará por aqui. E com qual intensidade.

A resposta deve aparecer nas próximas pesquisas. E, principalmente, nas ruas.