Economia
Ceasa movimentou R$ 1,5 bilhão e gerou 21 mil empregos em AL
Estudo da FGV identifica impacto econômico da central em 2023, mas aponta prejuízo operacional de R$ 3 milhões e desafios para a concessão à iniciativa privada
A Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa/AL) movimentou mais de R$ 1,54 bilhão na economia estadual em 2023 e foi responsável pela geração ou manutenção de 21.370 postos de trabalho diretos e indiretos. Os dados constam em um relatório de impacto econômico elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para o Governo de Alagoas, como parte dos estudos que fundamentam o projeto de concessão do complexo à iniciativa privada.
O documento, datado de 8 de maio de 2024, foi encaminhado nesta quinta-feira (29) pela Alagoas Ativos S.A. ao deputado estadual Delegado Leonam, após solicitação feita pelo parlamentar com base na Lei de Acesso à Informação. O levantamento evidencia a dimensão da atividade econômica da central, apesar dos resultados financeiros negativos registrados em seu balanço operacional.
De acordo com a FGV, o comércio realizado na Ceasa movimentou aproximadamente R$ 1 bilhão diretamente em 2023. Outros R$ 539,9 milhões foram gerados de maneira indireta. No ano anterior, o impacto econômico total havia alcançado R$ 1,45 bilhão. Já a renda destinada à população por meio da remuneração do trabalho chegou a cerca de R$ 438 milhões no período analisado.
Impacto econômico
O levantamento também estima que as atividades da central contribuíram com R$ 191 milhões em arrecadação de tributos municipais, estaduais e federais em 2023. Em 2022, o montante havia sido de R$ 180 milhões.
Outro indicador apresentado pela fundação é o efeito multiplicador da atividade econômica. Conforme o índice de alavancagem calculado no estudo, cada R$ 1 movimentado na Ceasa produz um impacto de R$ 1,54 na economia. A pesquisa aponta ainda que, a cada R$ 72,2 mil movimentados, um emprego é gerado ou mantido na cadeia produtiva.
Apesar dos resultados expressivos para a economia estadual, outro relatório da FGV, elaborado em abril de 2024, identificou prejuízo operacional na central durante todos os anos do período entre 2018 e 2023. No último ano analisado, o déficit chegou a R$ 3,04 milhões.
Com base nesse cenário, a fundação avalia que a operação do empreendimento não seria atrativa para um gestor privado sem a participação financeira do Estado.
Função social
No documento, a FGV ressalta que o abastecimento alimentar possui caráter estratégico para as políticas públicas. A instituição destaca que, mesmo diante da exploração de uma atividade econômica, o poder público precisa considerar a função social desempenhada pela Ceasa na cadeia de produção e comercialização de hortifrutigranjeiros.
Entre as atribuições da central estão a fiscalização da qualidade e das condições sanitárias das mercadorias, a classificação dos produtos e a oferta de serviços de armazenagem, especialmente importantes para pequenos e médios produtores.
O estudo também identifica obstáculos para a ampliação das atividades comerciais. Como Alagoas não possui grande produção de alimentos, parte significativa das mercadorias comercializadas na Ceasa é proveniente de outros estados, principalmente de Pernambuco.
Além disso, grandes comerciantes realizam compras diretamente nos estados fornecedores, sem utilizar a estrutura da central. Outro fator apontado é a concorrência da antiga central de abastecimento localizada no Centro de Maceió, atualmente administrada pela prefeitura.
Projeto
O projeto de concessão da Ceasa, de autoria do governador Paulo Dantas (MDB), prevê a transferência da administração do complexo para a iniciativa privada por um período de até 60 anos.
Segundo o Governo de Alagoas, as instalações da Fábrica da Sopa, vinculada ao programa Alagoas Sem Fome, não estão incluídas na área prevista para concessão.
