Economia
Alagoas terá três projetos para a indústria pelo programa NE 4.0
Pindorama é a primeira empresa selecionada; outras duas serão definidas a partir de mapeamento da maturidade tecnológica do setor industrial alagoano
Alagoas terá três projetos de transformação digital desenvolvidos no âmbito do Programa NE 4.0 – Núcleos da Nova Indústria Brasil (N-NIB), iniciativa da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) voltada à modernização da indústria regional. A Cooperativa Pindorama, em Coruripe, é a primeira empresa do estado a receber um projeto elaborado por especialistas do programa.
As outras duas empresas ainda serão selecionadas a partir de um mapeamento da maturidade tecnológica da indústria alagoana. O levantamento é realizado em articulação com a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Alagoas) e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Sedics).
O objetivo é identificar o estágio de adoção de tecnologias digitais pelas indústrias, além de apontar demandas e oportunidades de modernização. A estratégia amplia a atuação do NE 4.0 para diferentes segmentos do setor produtivo e pretende aproximar empresas, universidades e instituições de ciência, tecnologia e inovação.
O programa foi lançado em Alagoas em maio deste ano, com participação da Sudene, FIEA e Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Entre as ações previstas estão diagnósticos de maturidade digital, capacitações, workshops, visitas técnicas e apoio à elaboração de projetos de inovação. A expectativa anunciada no lançamento era alcançar cerca de 20 indústrias e desenvolver até 47 projetos voltados à transformação digital.
Projeto da Pindorama
Primeira empresa alagoana contemplada nesta etapa, a Cooperativa Pindorama recebeu o projeto denominado SIOB-Flex, que propõe integrar dados e processos da unidade industrial com tecnologias como inteligência artificial, sensores e Gêmeo Digital — uma representação virtual da operação que permite acompanhar e simular processos industriais.
A indústria utiliza cana-de-açúcar, milho e sorgo na produção. O projeto parte de um Índice de Maturidade Digital de 18,2% e estabelece como referência alcançar 68,9% em 30 meses.
Entre as medidas previstas estão mudanças no aproveitamento de coprodutos, aumento do rendimento da produção de etanol a partir de cereais e redução do consumo de vapor.
Uma das propostas é utilizar coprodutos para produzir um farelo com maior concentração de proteína, denominado HP-WDG. Segundo as estimativas apresentadas no projeto, a mudança poderia elevar o valor do produto de R$ 400 para R$ 1.500 por tonelada, com receita adicional estimada em R$ 10,4 milhões por ano.
Outra projeção aponta aumento de 2,5% no rendimento da produção de etanol a partir de cereais, o equivalente a aproximadamente 875 mil litros adicionais por ano. O projeto também estima redução de 5% no consumo de vapor, com economia anual calculada em R$ 1,2 milhão.
Investimento pode chegar a R$ 89,9 milhões
A implantação do projeto da Pindorama foi estimada entre R$ 59,94 milhões e R$ 89,94 milhões. De acordo com o projeto, os recursos seriam destinados principalmente à implantação industrial e à infraestrutura, além de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Entre as possíveis fontes de financiamento estão o FNE Coopera, do Banco do Nordeste, e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Sudene. Também foram apontadas possibilidades de financiamento pelo Fundo Clima, do BNDES, e de subvenção por meio da Embrapii e da Finep.
As fontes indicadas ainda dependem de enquadramento, análise e aprovação pelas instituições responsáveis. O projeto também está em avaliação pela própria cooperativa.
Entre as próximas etapas estão a definição da estrutura de governança, a organização de dados históricos dos últimos 36 meses e o encaminhamento das alternativas de financiamento.
Outros dois projetos
A escolha das outras duas empresas que receberão projetos deverá considerar os resultados do mapeamento da maturidade tecnológica da indústria de Alagoas. A proposta é identificar quais empresas apresentam demandas que possam ser trabalhadas por meio de soluções de transformação digital.
Além dos projetos empresariais, está em articulação uma residência tecnológica em Indústria 4.0, envolvendo Sudene, Ufal, FIEA, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e Sebrae Alagoas. A iniciativa prevê a combinação de capacitação técnica, diagnóstico empresarial e elaboração de projetos de modernização.
O NE 4.0 também prevê a elaboração de planos de ação considerando as características e vocações produtivas de cada território. A metodologia inclui mobilização das instituições locais, mapeamento do setor produtivo, eventos, workshops, visitas técnicas e diagnósticos de maturidade digital.
