Política
Fundo de Florestas fica fora dos planos da maioria dos candidatos
Especialistas ouvidos por um jornal de grande circulação avaliam que o TFFF ainda carece de estrutura de governança capaz de resistir a mudanças de governo
Lula é o único candidato à Presidência a mencionar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), enquanto o mecanismo intensifica esforços para captar US$ 10 bilhões até o fim do ano e evitar a perda de aportes internacionais. Sem uma governança consolidada e dependente do engajamento brasileiro, o fundo enfrenta incertezas diante de uma possível mudança de governo e da falta de posicionamento claro de Flávio Bolsonaro.
Um ano após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar um aporte inicial de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,15 bilhões) no TFFF, o fundo segue praticamente ausente dos programas de governo dos demais candidatos à Presidência. O próprio Lula é o único a tratá-lo como prioridade em sua política externa para um eventual novo mandato.
Especialistas ouvidos por um jornal de grande circulação avaliam que o TFFF ainda carece de estrutura de governança capaz de resistir a mudanças de governo. Para Taciana Stec, do Instituto Talanoa, o fundo permanece fortemente associado à agenda ambiental de Lula, o que eleva o risco de descontinuidade em caso de transição política.
Idealizado pelo Brasil, o TFFF busca captar US$ 125 bilhões (cerca de R$ 643,75 bilhões) para formar uma carteira de investimentos de renda fixa, com rendimentos estimados entre 7% e 8% ao ano. O modelo prevê que financiadores recebam parte dos lucros e que países conservadores de florestas recebam US$ 4 (R$ 20,60) por hectare preservado, com redução proporcional em caso de desmatamento.
O aporte brasileiro de R$ 5 bilhões está previsto no Orçamento de 2027 e depende de aprovação do Congresso Nacional. Enquanto isso, o plano do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, não se posiciona sobre o TFFF e limita-se a afirmar que o candidato defende mecanismos de incentivo econômico à preservação ambiental, sem citar o fundo.
A continuidade do engajamento brasileiro preocupa integrantes do governo, que veem o TFFF como responsabilidade global, mas admitem que uma eventual troca de gestão pode alterar o ritmo de participação do país.
Até o momento, o TFFF soma US$ 7,3 bilhões (cerca de R$ 37,6 bilhões) em compromissos e precisa atingir US$ 10 bilhões (mais de R$ 51,5 bilhões) até o fim do ano para iniciar operações e manter o aporte da Noruega.
Caso não alcance a meta, o fundo corre risco de perder força em 2027, segundo Stec.
Negociações com diversos países estão em andamento, mas novos anúncios devem ocorrer apenas na COP31, em novembro, quando já se saberá quem governará o Brasil.
