Economia
Brasil cobra proposta dos EUA em meio a impasse sobre tarifaço
As sobretaxas de 25% e 12,5% foram impostas pelos EUA como resposta a supostas práticas brasileiras que restringiriam o comércio e à falta de fiscalização sobre produtos associados ao trabalho forçado
O governo brasileiro retomou as negociações com os Estados Unidos para tentar reduzir as tarifas extras sobre produtos nacionais, mas não espera avanços rápidos. Washington mantém sobretaxas de até 37,5% e só deve apresentar uma proposta concreta após as eleições, enquanto Brasília prepara a possível aplicação da lei de reciprocidade.
As sobretaxas de 25% e 12,5% foram impostas pelos EUA como resposta a supostas práticas brasileiras que restringiriam o comércio e à falta de fiscalização sobre produtos associados ao trabalho forçado.
Segundo apuração de um portal de notícias brasileiro, negociadores acreditam que qualquer avanço concreto só deve ocorrer após as eleições de outubro.
Brasília aguarda que assessores do presidente norte-americano Donald Trump apresentem uma proposta inicial, detalhando o que esperam do Brasil para iniciar as tratativas. Antes do tarifaço, o etanol e as tarifas agrícolas estavam no centro das discussões. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva admite negociar a redução da alíquota sobre o etanol norte-americano caso os EUA flexibilizem a entrada do açúcar brasileiro, atualmente limitado por cotas e sujeito a tarifas de até 100% fora do volume preferencial.
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, considera pequena a cota anual de 155 mil toneladas com tarifa reduzida. Por isso, qualquer acordo dependerá dos termos apresentados pelos negociadores norte-americanos, especialmente sobre barreiras ao açúcar e ao etanol.
A reunião marcada para segunda-feira (31), entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, será o primeiro passo de uma agenda técnica para reorganizar o diálogo.
O telefonema entre Lula e Trump, realizado na semana passada (21), abriu espaço para a retomada das conversas. Durante cerca de 1h20, os presidentes discutiram principalmente as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. Agora, o Brasil pretende propor um roteiro setorial, começando por bens de capital, depois automotivo e químico, para aprofundar negociações conforme a realidade de cada segmento.
A reunião da próxima segunda-feira (31) deve ser apenas preparatória, estabelecendo bases para encontros mais técnicos entre equipes e ministros. Paralelamente, o governo brasileiro iniciou o processo para aplicar medidas de reciprocidade previstas em lei, caso não haja avanço nas negociações. A mensagem transmitida aos EUA é clara: o tempo corre, as tarifas já estão em vigor e o Brasil poderá retaliar se considerar necessário.
A lei da reciprocidade permite sobretaxas, suspensão de patentes e outras medidas contra países que imponham barreiras ao Brasil. Interlocutores de Lula afirmam que, sem acordo nos próximos meses, o processo de análise será concluído e o governo terá de decidir sobre a aplicação das medidas, o que aumentaria a pressão sobre Washington.
A aposta do governo brasileiro é que a retomada das negociações técnicas permita ampliar a lista de exceções e, eventualmente, construir um acordo que reduza os efeitos do tarifaço.
Por Sputinik Brasil
