Economia

Durigan atribui alta da dívida a juros elevados e nega relação com aumento dívida pública brasileira

Segundo a Durigan, a rolagem da dívida faz com que o governo substitua papéis antigos por novos, elevando o gasto com juros e, consequentemente, o estoque da dívida

Por Sputnik Brasil 06/08/2026 17h05 - Atualizado em 06/08/2026 17h05
Durigan atribui alta da dívida a juros elevados e nega relação com aumento dívida pública brasileira
Foto: © Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (6) que o aumento da dívida pública brasileira está diretamente relacionado ao alto custo dos juros, e não ao crescimento das despesas do governo.

Em entrevista à GloboNews, Durigan explicou que a expansão do endividamento decorre, principalmente, da necessidade de refinanciar títulos públicos emitidos em anos anteriores.

Segundo ele, a rolagem da dívida faz com que o governo substitua papéis antigos por novos, elevando o gasto com juros e, consequentemente, o estoque da dívida. Para o secretário, esse movimento não deve ser confundido com aumento dos gastos públicos.

"O governo não está gastando mais do que arrecada. O que acontece é que estamos pagando dívidas antigas com títulos novos. É, portanto, na gestão da dívida que estamos aumentando a dívida. É na rolagem da dívida, e não nos gastos", afirmou.

Durigan reconheceu que a política fiscal influencia o comportamento dos juros, mas ressaltou que esse não é o único fator observado pelo mercado. Para ele, as taxas elevadas continuam sendo o principal elemento por trás do crescimento da dívida pública.

Em junho, a Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou R$ 9,2 trilhões, impulsionada pela maior emissão de títulos atrelados à Taxa Selic, os juros básicos da economia.

Apesar do aumento do endividamento, o secretário reforçou que o governo segue empenhado em melhorar o resultado fiscal. Segundo Durigan, os indicadores econômicos são favoráveis, com inflação sob controle e melhora na avaliação do Brasil por agências internacionais de classificação de risco.

Selic cai para 14% ao ano

A declaração do secretário ocorre um dia após o quarto corte consecutivo da Selic, que recuou 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Em nota oficial divulgada após a reunião liderada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que a medida busca equilibrar o controle do custo de vida com a manutenção do emprego e a suavização das oscilações da atividade econômica no país.

Apesar disso, o Copom adotou tom de cautela em relação aos próximos passos da política monetária. A decisão considerou um cenário econômico complexo, no qual a economia brasileira apresenta sinais de desaceleração gradual, mas ainda demonstra resiliência, impulsionada por um mercado de trabalho aquecido.

Por Sputinik Brasil