Economia

Redução da Selic é vista como insuficiente por entidades do setor produtivo

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destacou que a continuidade da redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica

Por Agência Brasil com Redação 06/08/2026 05h05
Redução da Selic é vista como insuficiente por entidades do setor produtivo

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destacou que a continuidade da redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, porém o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e retarda investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", afirmou a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros seguem em patamar restritivo há 55 meses, e que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada pela Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Essa regra permite calcular uma taxa de juros que controle a inflação sem prejudicar o crescimento econômico.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação", pontuou a CNI.

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também considerou insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", afirmou a entidade em nota.

Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passou de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.