Economia
Cosip deve tirar R$ 1 bilhão do bolso do maceioense em seis anos
Entre 2021 e 2025, os moradores de Maceió pagaram aproximadamente R$ 799,3 milhões por meio da contribuição incluída mensalmente nas contas de energia
A Prefeitura de Maceió divulgou, após a publicação de reportagem sobre o aumento da taxa de iluminação pública, que a Ilumina realizou mais de 5 mil atendimentos em julho.
É uma informação importante. Mostra que existem equipes trabalhando, lâmpadas sendo substituídas e problemas sendo resolvidos nos bairros. Mas está longe de responder à principal pergunta feita pelo consumidor: como é aplicado o dinheiro arrecadado com a Cosip?
E não é pouco dinheiro. Entre 2021 e 2025, os moradores de Maceió pagaram aproximadamente R$ 799,3 milhões por meio da contribuição incluída mensalmente nas contas de energia. Com a previsão de mais R$ 200 milhões para 2026, o total arrecadado durante as gestões de JHC e Rodrigo Cunha deve superar R$ 1 bilhão até o final deste ano.
Cosip cresce ano após ano
Em 2021, primeiro ano da gestão JHC, a Prefeitura arrecadou R$ 124,46 milhões. No ano seguinte, a receita subiu para R$ 148,27 milhões.
Em 2023, foram R$ 151,57 milhões. O total avançou para R$ 180,70 milhões em 2024 e chegou a R$ 194,32 milhões em 2025. A previsão para 2026 é de aproximadamente R$ 203,9 milhões, de acordo com o RREO publicado pela prefeitura no Portal da Transparência.
A conta acumulada fica assim:
2021: R$ 124,46 milhões
2022: R$ 148,27 milhões
2023: R$ 151,57 milhões
2024: R$ 180,70 milhões
2025: R$ 194,32 milhões
2026: R$ 203,9 milhões previstos
Total: mais de R$ 1 bilhão
Atendimentos
A divulgação de números de manutenção é positiva, mas não substitui uma prestação de contas financeira.
Em maio, por exemplo, a Ilumina informou ter executado 4.581 serviços, incluindo reparos de luminárias, recuperação de pontos apagados e atendimentos emergenciais. No primeiro trimestre de 2026, foram divulgados mais de 10 mil atendimentos. Em todo o ano de 2025, a autarquia registrou 39.406 solicitações.
Os comunicados, porém, não informam quanto custaram esses serviços. Também não esclarecem quantas ordens de serviço representam apenas uma visita, quantas envolveram troca de equipamentos, quanto foi gasto com materiais, qual o custo médio de cada atendimento e quanto foi pago às empresas contratadas.
É essa a conta que interessa a quem paga. Quanto custa cada atendimento? Considerando os 39.406 registros divulgados para 2025 e a arrecadação de R$ 194,32 milhões, houve uma receita equivalente a aproximadamente R$ 4,9 mil por solicitação registrada. Isso não significa que cada atendimento tenha custado esse valor. A Cosip também financia consumo de energia, expansão da rede, contratos, salários, equipamentos e despesas administrativas.
A comparação serve apenas para mostrar que divulgar o número de ocorrências solucionadas não explica o destino de uma arrecadação próxima de R$ 200 milhões por ano. A Prefeitura precisa apresentar os dois lados da conta: o serviço realizado e o dinheiro gasto.
Contratos consomem parte dos recursos
Os documentos já analisados mostram que um contrato com a Ceilurb, responsável por serviços na rede de iluminação, passou de R$ 48 milhões para R$ 67,37 milhões após reajustes acumulados.
Em 2025, os pagamentos identificados para a empresa somaram aproximadamente R$ 60 milhões. Outros R$ 43,5 milhões foram pagos à Equatorial.
A soma desses dois valores chega a cerca de R$ 103,5 milhões, pouco mais da metade dos R$ 194,32 milhões arrecadados naquele ano.
Há despesas legítimas além dessas duas empresas. Mas falta apresentar ao consumidor um quadro completo: energia, manutenção, expansão, folha, equipamentos, contratos, saldo em caixa e restos a pagar.
R$ 1 bilhão exige mais transparência
Não se discute que Maceió precisa manter e ampliar sua iluminação pública. A cidade tem uma rede extensa, sofre com furtos de cabos, vandalismo, acidentes e necessidade permanente de manutenção.
O que se discute é outra coisa. Uma contribuição que deve retirar mais de R$ 1 bilhão das contas de energia dos maceioenses em seis anos não pode ser explicada apenas pela quantidade de lâmpadas trocadas ou chamados atendidos.
O cidadão precisa saber quanto paga, quanto custa o serviço e onde foi aplicado cada real.
