Economia

Alagoas pode perder US$ 46 mi com redução na cota americana do açúcar

Para Alagoas, principal beneficiário desse mercado preferencial, a medida reduz em cerca de um terço o volume que tradicionalmente é exportado

Por Blog de Edivaldo Junior 04/08/2026 12h12
Alagoas pode perder US$ 46 mi com redução na cota americana do açúcar
Pedro Robério. - Foto: Edivaldo Junior

A decisão dos Estados Unidos de reduzir de 156 mil para 100 mil toneladas a Cota Americana de açúcar para o Brasil representa um novo revés para o setor sucroenergético nacional. Para Alagoas, principal beneficiário desse mercado preferencial, a medida reduz em cerca de um terço o volume que tradicionalmente é exportado para os Estados Unidos dentro da cota, comprometendo receitas justamente em um dos mercados mais rentáveis para o açúcar brasileiro.

Além da redução da cota, permanece a tarifa adicional de 25% sobre o volume que continuará sendo exportado, diminuindo ainda mais a competitividade do produto brasileiro frente aos demais fornecedores internacionais.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, o principal problema não é a retirada da sobretaxa adicional de 12,5%, mas a redução do espaço destinado ao açúcar brasileiro.

"A redução da cota é o fato mais relevante. É ela que afeta diretamente as indústrias do Norte e Nordeste, especialmente as de Alagoas", afirmou.

Historicamente, Alagoas responde por aproximadamente metade da Cota Americana destinada ao Brasil. O mercado norte-americano paga preços superiores aos praticados no mercado internacional e representa uma das principais fontes de receita das exportações do setor sucroenergético alagoano.

Segundo estimativas do Sindaçúcar-AL, a redução de 56 mil toneladas da cota poderá provocar perdas próximas de US$ 93 milhões para os estados do Norte e Nordeste. Além disso, a manutenção da tarifa de 25% sobre as 100 mil toneladas restantes representa um custo adicional estimado em cerca de US$ 100 milhões para os exportadores.

Apesar desse cenário, o Brasil continuará exportando açúcar para os Estados Unidos. "Vamos exportar mesmo com a tarifa para não perder a cota", resume Pedro Robério.

Segundo ele, exportar açúcar para os Estados Unidos fora da Cota Americana continua sendo economicamente inviável.

"Não existe possibilidade de exportação de açúcar para os EUA fora da cota preferencial, pois a tarifa normal já alcança 101% e agora será acrescida de mais 25%. Fica inviável."

Na avaliação do presidente do Sindaçúcar-AL, redirecionar esse volume para outros mercados também não elimina o prejuízo.

"A opção de direcionar essa cota ao mercado mundial é restrita, porque já ocupamos esses mercados. Mesmo conseguindo realocar esse açúcar, haverá perda de receita, pois o mercado americano remunera muito melhor o nosso produto."

Para o setor, a combinação da redução da Cota Americana com a manutenção da tarifa de 25% reforça a necessidade de ampliar as negociações entre Brasil e Estados Unidos. O objetivo é recuperar a competitividade do açúcar brasileiro em um mercado estratégico para a economia do Nordeste e, em especial, de Alagoas.

Mudança foi anunciada no fim de julho

Na última semana de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou uma revisão das regras para importação de açúcar dentro da Cota Americana referente ao ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro deste ano.

A principal mudança foi a redução da cota destinada ao Brasil, de 156 mil para 100 mil toneladas, uma diminuição de cerca de 35%.

Ao mesmo tempo, Washington retirou o açúcar da sobretaxa adicional de 12,5%, mas manteve a tarifa de 25% sobre o produto brasileiro.

Para o setor sucroenergético, o corte na cota acabou tendo impacto maior do que a retirada da sobretaxa, pois reduz significativamente o volume que poderá ser exportado ao mercado norte-americano em condições preferenciais.