Economia
Taxa de iluminação aumenta mais de 100% em Maceió desde 2020
. Durante as gestões de JHC e Rodrigo Cunha, o valor da taxa mais que dobrou
O maceioense deve pagar mais de R$ 200 milhões em 2026 pela chamada taxa de iluminação pública. O valor previsto é mais que o dobro dos R$ 98,28 milhões arrecadados em 2020, último ano da gestçao de Rui Palmeira, antes de JHC assumir a Prefeitura de Maceió.
Com Rui, Maceió passou a ter maior tax de iluminação pública entre as capitais do Nordeste e uma das maiores do Brasil. Durante as gestões de JHC e Rodrigo Cunha, o valor da taxa mais que dobrou.
Tecnicamente, a cobrança é uma contribuição para pagamento dos serviços : a Cosip (Contribuição Sobre Iluminação Pública). Na prática, funciona como uma taxa mensal incluída na fatura de energia elétrica. O consumidor paga junto com a conta da Equatorial e, muitas vezes, sequer percebe quanto está desembolsando.
A arrecadação cresceu ano após ano. Em 2023, chegou a R$ 151,57 milhões. Em 2024, subiu para R$ 180,70 milhões. No ano passado, alcançou R$ 194,32 milhões. Para 2026, a previsão orçamentária já passa de R$ 200 milhões.
A comparação entre os R$ 98,28 milhões arrecadados em 2020 e a receita prevista para este ano mostra aumento superior a 100%.
Só em 2025, a Prefeitura arrecadou R$ 194,32 milhões, embora tivesse previsto inicialmente R$ 163,86 milhões. Entraram nos cofres municipais R$ 30,46 milhões acima da estimativa inicial.
Você paga, mas sabe para onde vai?
A Cosip aparece na fatura de energia, mas o dinheiro não pertence à Equatorial. A distribuidora faz a cobrança e deve repassar integralmente os recursos ao município.
O Código Tributário determina que a contribuição paga pelos imóveis edificados seja lançada mensalmente na conta de energia. A legislação também prevê o repasse integral para uma conta bancária da Prefeitura destinada à iluminação pública, sem retenção para pagar consumo de energia ou taxa de administração.
É nesse ponto que a conta precisa ser melhor explicada ao consumidor.
Levantamento feito pelo Blog do Edivaldo Junior nas planilhas de pagamentos da iluminação pública mostra que a Equatorial Alagoas recebeu aproximadamente R$ 43,5 milhões em 2025. O valor representa apenas 22,4% dos R$ 194,32 milhões arrecadados com a Cosip naquele ano. Ou seja, de cada R$ 100 pagos pelos consumidores, menos de R$ 23 aparecem como pagamento direto à distribuidora.
Isso não significa que o restante deveria ser devolvido ao contribuinte ou que tenha sido usado irregularmente. A Cosip não paga apenas a energia consumida pelas luminárias.
A legislação permite financiar instalação, manutenção, expansão e modernização do parque de iluminação, além da gestão do serviço e de projetos de eficiência energética.
Mas uma coisa é o recurso ter destinação legal. Outra é o cidadão saber claramente como ele foi gasto.
Mais de R$ 60 milhões para empresa contratada
As planilhas analisadas mostram ainda pagamentos de aproximadamente R$ 60,1 milhões para a Ceilurb, empresa responsável por serviços de operação, manutenção e modernização do parque de iluminação pública.
Somados, os pagamentos identificados para Equatorial e Ceilurb chegam a cerca de R$ 103,6 milhões. Outros recursos foram destinados a salários, encargos, serviços administrativos, locações, equipamentos e fornecedores.
Os pagamentos localizados nas planilhas somam aproximadamente R$ 120,5 milhões. O valor equivale a 62% da arrecadação da Cosip em 2025.
Resta explicar a diferença.
Não é possível afirmar, apenas com esses documentos, que os outros R$ 73,8 milhões foram desviados ou gastos fora da iluminação. Parte pode ter ficado em caixa, sido empenhada e não paga, inscrita em restos a pagar ou executada por meio de outros contratos e unidades administrativas.
Mas é possível — e necessário — perguntar. Quanto ficou em caixa? Quanto foi usado na ampliação da rede? Quanto foi destinado à manutenção, à troca de luminárias, à folha de pagamento e a despesas administrativas? Quanto foi empenhado, mas não chegou a ser pago em 2025?
Uma cobrança de R$ 194 milhões por ano exige uma prestação de contas simples, detalhada e acessível a quem paga.
Mais de meio milhão por dia
Em 2025, a Prefeitura arrecadou, em média, R$ 16,2 milhões por mês com a Cosip. Foram aproximadamente R$ 532 mil por dia. O consumidor enxerga apenas uma linha na fatura de energia. Somadas, porém, essas cobranças formam uma das maiores receitas próprias do município. E continuam crescendo.
O primeiro dado desta série é claro: a arrecadação da taxa de iluminação aumentou mais de 100% desde 2020 e deve superar R$ 200 milhões neste ano. A pergunta ainda sem resposta detalhada é igualmente simples: quanto desse dinheiro vai efetivamente para iluminar Maceió — e para onde vai todo o restante?
