Economia

Tarifa de 25% dos EUA ameaça receita do açúcar de Alagoas

A avaliação do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, é que o novo cenário poderá provocar perdas expressivas

Por Blog de Edivaldo Junior 22/07/2026 12h12
Tarifa de 25% dos EUA ameaça receita do açúcar de Alagoas
. - Foto: Reprodução

A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos para produtos brasileiros voltou a preocupar o setor sucroenergético de Alagoas. Depois de um breve alívio com a decisão da Suprema Corte americana, que derrubou o chamado "tarifaço" de 50% e abriu espaço para uma tarifa menor, a nova medida recoloca o açúcar brasileiro em desvantagem no mercado americano, justamente o destino que oferece a melhor remuneração às exportações alagoanas.

A avaliação do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, é que o novo cenário poderá provocar perdas expressivas de receita.

"O efeito da taxação de 50% foi atenuado pela decisão da Suprema Corte americana, que a condenou e foi substituída por uma tarifa de 10%. Essa atual de 25% terá um efeito mais danoso", afirmou ao Blog do Edivaldo Junior.

Mercado mais rentável fica comprometido

Os Estados Unidos são o principal mercado de maior valor para o açúcar exportado por Alagoas. O estado responde por cerca de metade da chamada Cota Americana, mecanismo que permite ao Brasil exportar anualmente cerca de 153 mil toneladas de açúcar em condições preferenciais e preços acima do mercado mundial.

Segundo Pedro Robério, a nova tarifa praticamente elimina a competitividade brasileira.

"Não existe possibilidade de exportação de açúcar para os EUA fora da cota preferencial, pois a tarifa normal já alcança 101% e agora será acrescida de mais 25%. Fica inviável."

Na prática, isso significa que o açúcar destinado ao mercado americano terá de ser redirecionado para outros compradores, que pagam preços significativamente menores.

O maior problema, segundo Pedro Robério, não é encontrar novos mercados, mas substituir a receita proporcionada pelos Estados Unidos.

"A opção de direcionar essa cota ao mercado mundial é restrita, porque já ocupamos os demais mercados. Mesmo conseguindo realocar esse açúcar, teremos uma perda de receita de cerca de 80% nesse volume, estimada em aproximadamente US$ 32 milhões", explicou.

Para Alagoas, o impacto é ainda mais relevante porque o mercado americano representa a operação mais rentável das exportações de açúcar e o Estado responde por 50% da cota americana. As perdas serão de ao menos metade do valor estimado.

Historicamente, o preço pago pelos Estados Unidos supera com folga as cotações praticadas no mercado internacional, garantindo uma parcela importante do faturamento das usinas.

Exportações já sentiram os efeitos

Os reflexos da disputa comercial já aparecem nos números do comércio exterior. Levantamento publicado pelo Movimento Econômico mostra que as exportações nordestinas para os Estados Unidos começaram a perder ritmo ainda antes da entrada em vigor da nova tarifa, atingindo produtos como açúcar, sal e derivados industriais.

No caso de Alagoas, o momento é ainda mais delicado. A safra 2025/2026 foi marcada pela forte queda no preço internacional do açúcar, redução do ATR e dificuldades enfrentadas por fornecedores de cana e usinas. Há relatos, inclusive, de demissões durante a moagem, situação incomum para o período.